"As plantas são como animais com a boca enfiada no solo", já dizia o filósofo grego Aristóteles, três séculos antes de Cristo. Este pensamento ilustra como a nutrição vegetal sempre foi um assunto bastante discutido pela sociedade, mesmo quando o conceito de agronegócio ainda nem existia.
Hoje, com todas as tecnologias ofertadas e ações de marketing que envolvem o setor, o uso de fertilizantes tornou-se gigantesco e indispensável para o agricultor. E não se trata apenas de adubos com componentes básicos para o solo, mas também itens que envolvem elementos mais complexos, como micronutrientes, adubos foliares, estimulantes hormonais e enzimáticos, aminoácidos que prometem incremento de produtividade, maior desenvolvimento radicular, prevenção contra estresse, uniformidade de grãos e frutos, e não apenas para o melhoramento de lavouras de soja e milho, mas também para diversas outras culturas.
Os números demonstram a força do setor. De acordo com levantamento da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda), em 2014 foram entregues ao agricultor brasileiro por volta de 32,2 milhões de toneladas de fertilizantes, número 4,9% maior em relação ao ano anterior. Só de produtos importados, já que boa parte das tecnologias são criadas por grandes players internacionais, foram 24 milhões de toneladas, alta de 11,2% em comparação a 2013. No caso dos fertilizantes líquidos, foram cerca de 700 milhões de litros utilizados no País.
O diretor técnico da Associação Norte Paranaense de Revendedores de Agroquímicos (Anpara), o engenheiro agrônomo Irineu Zambaldi, explica que atualmente existem muitos resultados práticos devido à utilização desses produtos mais modernos, apresentando claros incrementos de produtividade. "Muitas vezes, por exemplo, se há falta de algum micronutriente na planta ou no solo, a nutrição macro ou seja, mais básica, fica prejudicada. Por isso, esse tipo de produto chama tanto a atenção dos produtores", explica ele.
Com um número significativo de empresas trabalhando com tais produtos, uma questão importante é levantada pela pesquisa: será que de fato o produtor sabe o que está adquirindo e comprova os resultados? Para Zambaldi, a resposta é positiva. "O agricultor não aumenta seus custos se não tiver certeza do que está comprando. Geralmente ele está embasado em dados técnicos, viu algum experimento com o produto e começa aplicando em pequenas áreas da propriedade. Se de fato ele vir resultados, expande o investimento para toda a lavoura."
Apesar de muitas vezes os produtos apresentarem soluções quase milagrosas, Zambaldi relata que não existe "almoço grátis", ou seja, é todo um pacote tecnológico e de investimento que precisa ser muito bem avaliado. "Não adianta investir nestes produtos sem antes ter pleno conhecimento das deficiências da lavoura. Além disso, o processo envolve um plantio direto eficiente, preservação da fertilidade do solo, índices de matéria orgânica, genética das cultivares, maquinário adequado, produtos químicos para controle de pragas, entre diversos outros fatores", finaliza ele.

Imagem ilustrativa da imagem Agricultores apostam cada vez mais na nutrição vegetal
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