Para manipular adequadamente a pele e as escamas do peixe, agricultoras e artesãs de Ortigueira e municípios vizinhos vão passar por treinamento. A produtora Mary Castro Resende, coordenadora de 25 grupos de mulheres artesãs de Ortigueira, conta que será escolhida uma representante de cada grupo para fazer o curso - que acontece em outra cidade e tem um custo alto -, as quais ficarão responsáveis por multiplicar o que aprenderam às outras mulheres.
''A expectativa é muito grande, percebemos que aliar a produção de peixe com o artesanato vai dar muito certo'', ressalta Mary, destacando que os restos dos peixes que não forem utilizados como alimento ou artesanato serão destinados para a produção de ração. ''Queremos aproveitar tudo do peixe''.
Raquel Aparecida Cionek, de Curiúva, cidade vizinha a Ortigueira, está feliz com a possibilidade de atuar em duas atividades que gosta muito: a piscicultura e o artesanato. Ela conta que está instalando cinco tanques no sítio e já está se preparando para fazer o curso e aprender a manipular os derivados do peixe. ''Eu adoro fazer artesanato. Agora terei a possibilidade de utilizar mais materiais e fazer coisas diferentes'', destaca.
Neusa Oliveira, artesã há mais de 20 anos, também vê no Programa Integrado de Piscicultura uma maneira de ampliar seu trabalho e melhorar a renda. ''Com a pele e a escama do peixe terei mais opções para construir minhas peças, para enfeitar bolsas, bijuterias'', observa a artesã. Ela conta que pretende fazer o curso porque o material (peles e escamas) exige tratamento diferenciado. ''E a matéria-prima não é barata. E dá para fazer acabamentos bem bacanas'', ressalta Neusa, frisando que por enquanto compra a matéria-prima de atravessadores, mas no futuro poderá adquiri-la direto de produtores.
Curiúva
A secretária de Agricultura de Curiúva, Leamar Regina Brancalhão, conta que o município está ''pegando carona'' no programa de Ortigueira por se tratar de uma ideia muito interessante. ''Curiúva também tem potencial para implantar tanques e produzir peixes por conta do número de nascentes'', frisa. Ela revela que o município já está fazendo a triagem dos produtores interessados. ''A procura tem sido grande. Vamos começar a buscar recursos para fortalecer o projeto. Queremos dar uma destinação eficiente para a produção'', acrescenta, afirmando que pretende estimular o artesanato. ''Já vi bolsas maravilhosas e caríssimas com pele de tilápia'', exemplifica. (E.Z.)

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