Agricultor vende produção apenas em feiras livres
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sexta-feira, 25 de julho de 2003
Cláudia Barberato<br>Reportagem Local 
O agricultor Hisaho Furuta tem 77 anos e até hoje levanta de madrugada para vender, nas feiras de Londrina, toda sua produção de hortaliças. Há 30 anos ele mantém esta rotina e é hoje uma das exceções da maioria dos feirantes. Segundo o próprio Furuta, a maioria dos feirantes compram os produtos que vendem nas barracas. Alguns já foram agricultores e outros são apenas intermediários entre o produtor e o consumidor.
Hisaho Furuta produz uma variedade de folhosas como couve, mostarda, espinafre, alface, chicória, almeirão, entre outros, numa área de 2,42 hectares na Gleba Palhano, zona sul de Londrina. O agricultor mora na propriedade com a mulher Yoshiko, de 74 anos. A mulher, segundo ele, não gosta de vender, mas é uma das responsáveis pela horta da chácara onde moram com mais um filho.
Furuta mantém outra propriedade em Cambé (13 km a oeste de Londrina). Em 29 hectares, com a ajuda do filho Luiz, tem a criação de frangos de postura e bicho da seda no sistema de integração. As duas atividades, junto com a produção de hortaliças complementam a renda.
Na barraca da feira a oferta, além das folhosas, é variada: banana, do sítio de uma das filhas; mandioca descascada; mel; pipoca; feijão japonês; amendoim; ovos e até granola, proveniente de uma indústria de outro filho que mora em Curitiba.
As hortaliças à venda na barraca de Furuta têm um colorido especial. As folhas não são perfeitas e muitas apresentam uns furinhos a mais do que um consumidor costuma procurar, admite Yukimi. No entanto, o interesse pelos produtos é grande, garante. O seu freguês fiel sabe do cuidado que é mantido na horta. O fato das folhas não serem perfeitas, explicam pai e filha, significa menor controle químico.
Como evita ao máximo o uso de inseticida ou outros produtos químicos e utiliza água de poço artesiano para molhar as plantas, o agricultor garante estar ofertando um produto mais saudável.
O tamanho do ramo de salsinha, por exemplo, é uma prova: de três a quatro vezes maior que o tradicional vendido em outros locais; o verde das folhas também é diferenciado e sem uma análise técnica, mas somente pelo visual, impressiona.
Além dos produtos agrícolas, a barraca dos Furuta é conhecida por um ''serviço diferenciado'', executado pela enfermeira Yukimi Furuta, filha de Hisaho. Yukimi faz gratuitamente a verificação da pressão arterial. ''As pessoas procuram e já virou uma referência'', confirma a jovem. Segundo ela, graças a verificação de pressão, já pôde encaminhar muita gente para o médico. ''Quem tem pressão alta não tem sintomas e a gente orienta como proceder,'' diz a enfermeira.


