Em levantamento para conhecer o ‘‘Perfil do Consumidor de Insumos Agropecuários’’, feito nos anos 98 e 99, a Associação Braasileira de Marketing Rural (ABMR) constatou que 84% daqueles produtores rurais empregam recursos próprios para despesas de custeio e 78% tiram dinheiro ‘‘do bolso’’ para investimentos.
Pequenos agricultores, principalmente, têm ‘‘medo’’ de banco, porque no caso de uma frustração de safra correriam, o risco de perder suas terras. Esta não é apenas uma possibilidade; ja houve muitos casos, no Paraná e em outros Estados, de lavradores que perderam as propriedades porque não puderam pagar financiamentos.
Fontes de recursosA mesma pesquisa revela que na safra 91-92 os produtores aplicaram 80% de recursos próprios, para cobrir despesas de custeio; a utilização de recursos próprios aumentou para 84% na safra 98/99, enquanto a aplicação de dinheiro do crédito rural caiu de 37% para 33% naquele período.
Também foram fontes de recursos, naquele período: troca de produção por insumos agropecuários – 13% (só considerada a safra 98/99); Cédula do Produto Rural (CPR) – 10% (safra 98/99); empresas fornecedoras de insumos (98/99) – 8%; outras fontes – 1% e 2%. Fontes de recursos para despesas de investimentos – 82%, e 78%; crédito rural – 31% e 20%; Finame – 11% (98/99); Cédula do Produto Rural 998/99) – 4%; outras fontes – 1% no período.
TerceirizaçãoNas operações de safra muitos produtores preferem contratar empresas especializadas que fazem serviços na lavoura. Na safra 98/99, por exemplo, 33% das operações de aplicação de insumos (adubos e outros) foram feitos por empresas contratadas; firmas espcializadas também fizeram 25% da colheita, 24% do preparo do solo, 17% do plantio, 4% da vacinação de animais. Trinta por cento das operações não foram terceirizadas.
Produtor mais velhoOutra constatação que a Associação Brasileira de Marketing Rural faz, em sua pesquisa sobre consumidores de insumos, é que a população rural brasileira está envelhecendo, como aconntece com outros países, especialmente Europa e América do Norte. Isso indica que os jovens estão procurando mais viver nas cidades.
Na safra 91/92, 32% dos produtores rurais tinham mais de 50 anos de idade; em 98/99 essa faixa de idade subira para 34%. Constatou, o levantamento, que na safra 91/92 a idade média dos produtores com mais de 41 anos somava 58%, que já eram 60% em 98/99. Porém, os maiores de 50 anos eram os mais numerosos desde o período 91/92.
Outras faixas etárias consideradas na pesquisa, em 91/92: até 20 anos – menos de 1%; entre 21 e 30 anos – 15%; entre 31 e 40 anos – 26%; entre 41 e 50 – 26%; mais de 50 anos de idade – 34%. Em 98/99: até 20 – anos – 1%; entre 21 e 30 – 12%; entre 31 e 40 – 27%; entre 41 e 50 anos – 26%; mais de 50 – 34%.
Grau de instrução formal entre os produtores rurais: em 91/92 os analfabetos ou que não tinham o primário completo eram 26%, reduzidos para 17% em 98/99; no mesmo período, 37% e 38% tinham primário completo e ginásio incompleto; os portadores de ginásio completo e superior incompleto eram 14 e 19% e os que tinham curso superior completo eram 12 e 13%.
Enquanto os jovens preferem sair de vez da roça, os pais, embora continuem trabalhando na lavoura, também gostam de morar na cidade. Em 91/92 residiam na propriedade, ou tinham ali seus locais mais frequentes de permanência 41% dos consumidores de insumos agrícolas. Esse hábito subiu para 44%, em 98/99; em 91/92 residiam nas cidades mais próximas de suas propriedades 32%. Essa relação subira para 48% em 98/99.
O produtor rural é um ouvinte de rádio: tanto que 96% tinham rádio, em 91/92 e em 98/99. Outros itens que possuíam: automóvel – 72% em 91/91; 71% em 98/99; televisão com antena parabólica – 68% em 98/99 (quando esse item apareceu na pequisa); telefone comum (de fio) – 50% e 60%, respectivamente; utilitário (caminhonetes, pick-ups) – 44% e 57%; videocassette – 35% e 51%; televisão com antena tradicional – 49% em 98/99 ; telefone celular – 32% em 98/99; caminhão – 24% e 22%, respectivamente. Outros itens menos frequentes, pela ordem de colocação na pesquisa: microcomputador, televisão por assinatura, equipamento de rádio-amador e walkie-talkie
Principais característicasTraços relevantes do perfil dos connsumidores de insumos agrícolas, apontados pela pesquisa da Associação Brasileira de Marketing Rural: na safra 98/99, 82% buscavam permanentemente novas tecnologias; 77% valorizavam e utilizavam serviços agronômicos ou veterinários; 73% tratavam a fazenda como empresa: 70% preocupavam-se com a rentabilidade dos investimentos; 67% preocupavam-se com o faturametno da propriedade; 45% faziam plantio direto e apenas 10% das propriedades tinham tamanho em escala competitiva.
InsumosEm geral os principais insumos comprados nas safras 91/92 e 98/99 foram: adubos/fertilizantes (granulados) – 84%, em 98/99; arame par cerca – 34 e 33%, respectivamente; implementos grícolas – 7% e 13%; tratores – 5% e 10%; máquinas – 3% e 4%; caminhões – 2% e 2%.
Os adubos/fertilizantes (granulados) são os campeões de compras pelos produtores rurais. Em 91/92, 90% dos produtores adquiraram desses insumos e em 98/99 foram 96%, enquanto as sementes melhoradas/híbridas foram compradas, respectivamente, por 67% e 70% dos produtores; herbicidas, 63% e 87%; inseticidas 60% e 70%; calcário 52% e 53% e fungicidas 38% e 56%, entre outros itens de consumo nas propriedades para lavouras. Para a atividade pecuária os principais insumos foram, naquelas safras: vacinas – 96% e 98%; antibióticos – 92% e 92%; vermífugos – 90% e 94%; mata-bicheira em spray – 88% e 92%; sais minerais – 87% e 80%; carrapaticidas – 82% e 88%; bernicidas – 72% e 73%; arame para cerca – 65% e 67%.

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