Produzir água já é uma realidade em Minas Gerais. Um projeto coordenado pela Emater estadual ensina os agricultores a manejarem a propriedade para não desperdiçar a água das chuvas. A pesquisadora Dalziza Oliveira, do Iapar, conta que uma das idéias propostas pelos profissionais mineiros é o armazenamento da água que escorre pelas estradas rurais depois das precipitações.
A pesquisadora calcula que é possível aumentar em até 30% a disponibilidade de água na terra apenas com o bom manejo do solo, que compreende, basicamente, o plantio direto, a rotação de culturas e a proteção das nascentes por meio das matas ciliares.
Segundo Dalziza, o produtor precisa entender que a água é fator limitante na agricultura. ''É um engano o agricultor pensar que vai gastar menos deixando de manejar a água da propriedade. Pelo contrário, a diferença entre o sucesso e a perda de uma lavoura está nos recursos hídricos'', acredita.
Por muito tempo, analisa a pesquisadora, o produtor rural viu a natureza como inimiga. ''Ele matou animais e matas para ter a terra limpa para plantar e hoje está sofrendo os reflexos destruição da natureza'', diz. Ela defende a mudança de mentalidade tanto do campo quanto da cidade. ''Isso deve começar na universidade, com a educação ambiental do próprio técnico e dos agrônomos'', assinala.
O produtor Olair José Menotti, de Arapongas, utiliza a água de um poço da propriedade para consumo doméstico e para saciar o gado. As práticas de plantio direto e rotação de culturas foram adotadas pelo agricultor há 13 anos e os resultados na fertilidade e produtividade do solo foram positivos desde o início.
''Em média eu colhia 100 sacos de soja e trigo por alqueire, hoje colho até 130 sacos. No caso do milho a melhora foi ainda maior. Antes eu colhia 200 sacos/alqueire e hoje colho até 350 sacos'', calcula.
Dos 30 alqueires, quatro são destinados à reserva legal. ''Procuro plantar em nível e aumentar as matas próximas do manancial, além de cultivar aveias branca e preta no inverno para cobrir o solo'', declara Menotti. Segundo ele, o custo do plantio de cobertura é pago pela colheita da próxima cultura que, normalmente, é a soja.
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