A contribuição de Herbert Bartz na melhoria de equipamentos para o plantio direto não é recente. Ele já foi ouvido por renomadas marcas de máquinas agrícolas pela experiência que acumula no desenvolvimento desse sistema de plantio no Brasil.
Bartz é defensor da manutenção da palha na roça, sem que se promova o revolvimento da terra. ''A palhada assimila melhor o excesso de água e nos períodos de seca garante um período maior de oferta de umidade para a planta'', justifica. Em termos de tecnologia para o plantio direto, o País, avalia, é o mais avançado do mundo, superando até mesmo os Estado Unidos.
''Para o americano existem duas grandes ameaças: os terroristas e a agricultura brasileira'', ironiza.
A base para o sistema de plantio direto, de acordo com o produtor, é eliminar as queimadas. A palhada contribui para a retirada do excesso de carbono da atmosfera, transferindo-o para o solo como nutriente para os microorganismos, num processo denominado como ''sequestro de carbono''. ''Melhoramos as condições do ar e a biofertilidade do solo com menor uso de insumos'', destaca.
Bartz conta que no primeiro congresso realizado na Espanha em 2001, com a participação da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha, os participantes perceberam que não haviam tecnologias mundiais iguais às praticadas no Brasil. Assim, por influência do Banco Mundial e da FAO o evento foi trazido para cá. ''Apresentaremos uma vitrine do nível da agricultura brasileira em contraste com o resto do mundo''.
Hoje o plantio direto é usado em 50% dos 22 milhões de hectares de área cultivada do Brasil. No Paraná e no Rio Grande do Sul, segundo Herbert Bartz, o sistema de plantio é praticado em quase 90% do solo agrícola. Ele destaca que um eficiente sistema de plantio direto envolve além da prática, sistemas de pesquisa, ensino e equipamentos. Bartz não poupa críticas ao governo federal pela ausência de políticas agrícolas. ''O mundo todo reconhece a eficiência de nossa agricultura, só o governo prefere ignorar''.
Além de ser economicamente vantajoso e ecologicamente correto, o plantio direto, para o produtor, é socialmente justo pois não se destina apenas a grandes produtores. A redução de custos que ele permite (65% do custo operacional no consumo de combustíveis e horas trabalhadas em máquinas) viabiliza o cultivo nos 600 mil hectares de terra da agricultura familiar.
O 2º Congresso Mundial de Agricultura Conservacionista é promovido pela Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (Febrapd) e pela Confederação de Associações Americanas para a Agricultura Sustentável (Caapas), com o apoio
do CIRAD, ECAF, FAO, Governo do Paraná, Itaipu Binacional e Ministério da
Agricultura e Abastecimento.(C.G.).

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