O professor Célio, instrutor do Senar: lucros vêm de detalhes
Essa nova definição do produtor não é uma força de expressão, nem visa conferir ''status'' às atividades. Ela incorpora uma mudança de postura. Não basta saber plantar e colher. É preciso saber administrar. Sítio ou fazenda são na verdade empresas. E são complexas. A palavra de ordem é gestão, ou gerência.
Para o professor Célio Marques Luciano Gomes, da Faculdade do Norte Pioneiro (Fanorpi), instrutor do Senar/PR nos cursos de administração, a principal mudança de paradigma está na obtenção dos lucros. Como em outras atividades econômicas, também na agropecuária, a boa margem de ganho encobria erros na contabilidade dos negócios. Mas isto pertence ao passado. Hoje, a nova realidade econômica, impõe margens de ganho apertadas e o lucro tem que ser obtido nos detalhes. ''Não se faz qualquer investimento sem que ele, por sí só, garanta o retorno remunerado do capital aplicado'' - afirma Célio Marques.
Os agricultores - ou melhor, os empresários rurais - estão se dando conta disso e procurando respostas para os gargalos da administração.
O objetivo dos alunos do Senar/PR, esta semana, no curso sobre administração, no Centro de Treinamento Agropecuário (CTA) da Faep, em Ibiporã, expressa bem esta situação. Conforme o professor, 90% dos inscritos disseram que os seus objetivos com relação ao curso ''é buscar conhecimentos e uma saída para tornar a propriedade viável''. Em outro curso, o professor ouviu ouviu de um aluno a seguinte afirmação ''Do jeito que vão as coisas eu vou quebrar''.
Entre os alunos estão engenheiros agrônomos e advogados, e pessoal de segundo grau de escolaridade. Eles têm em comum o desafio de administrar uma empresa complexa: o sítio ou a fazenda. Esta empresa é muito mais complexa do que qualquer empresa urbana, porque lida com fatores imponderáveis como clima e elementos vivos, vegetais e animais.
Em outro curso, um dos participante disse que as coisas não estavam dando certo porque misturava as suas contas pessoais com as da empresa. ''Só começou a melhorar quando separou as contas e passou a contabilizar as despesas''.
O Brasil, nos últimos 22 anos aumentou em 60% a produção agrícola - sem aumentar a área na mesma proporção. Isto mostra o avanço da tecnologia e da capacidade dos produtores. No entanto, lamenda o professor, a renda da agricultura, no mesmo período, caiu 40%, ou seja teve desempenho quase inversamente proprorcional.
O agricultor brasileiro tem que ser competente, pois enquanto em outros países a atividade é altamente subsidiada, no Brasil ela é altamente tributada. Mesmo assim cresce.
''O agronegócio - observa o professor Célio Marques - tem desempenhado papel importante em pelo menos três pontos básicos para a saúde econômica do País, 1) Na balança comercial, item em que o agronegócio participa com mais de 40%. O equilíbrio comercial tem sido salvo pelas exportações agropecuárias, 2) Na questão social: o agronegócio gera 37% dos empregos ofertados por toda a economia do País, 3) No valor da produção bruta representa 35% do Pib, que é a soma de toda a riqueza interna do País.
No entanto, o principal agente do setor, aquele da ponta da cadeia produtiva, está descapitalizado e só consegue auferir boa remuneração por conta desses acidentes da política monetária ou do mercado internacional, como ocorreu com a soja ao passado.

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