O agricultor Geraldo Verussa, 43 anos, representa bem o novo perfil de produtores diversificados e que gerenciam bem suas economias. Aproveita todos os espaços dos 41 hectares do sítio onde nasceu e herdou do pai, na Comunidade Correia de Freitas, em Apucarana.
Café, soja, trigo, uva, figo, bicho-da-seda, mel e outros derivados da apicultura, e produtos para consumo próprio. Emprega tecnologia, busca qualidade, está sempre investindo - como agora, em que amplia a área de café e acrescenta uva industrial à sua já bem-sucedida produção de uva de mesa.
Verussa administra atento a parte contábil. Mora bem. E trata de oferecer boas condições de estudos aos filhos Mário Henrique, que se prepara para o vestibular; Guilherme Henrique, que estuda em colégio particular, e Aline Angélica.
Verussa, vice-presidente da Associação dos Produtores de Correia de Freitas, tem consciência de que é um produtor modelo e que prosperou após diversificar a propriedade.
Não tem motivo para reclamar, mas encontra razões de sobra para criticar o modelo agrícola ''que pune quem produz alimentos e peca pela falta de visão de longo prazo; desestimula quem gera empregos''.
O agricultor faz os investimentos com recursos próprios, porém não pode prescindir de um apoio maior, ''não de favores''. Pergunta: o que custaria para o governo, neste momento, subsidiar o adubo que é tão necessário?.
Verussa começa a aplicar 50 toneladas de fertilizantes no café e na amora. ''Querem qualidade - e nós sabemos como fazer qualidade -, mas não dão incentivo. Querem manter o homem no campo, mas pouco ou nada oferecem para quem já está aqui e precisa de um incentivo, nada de graça, nada de paternalismo - ressalva - apenas aquilo que parece justo''.
Verussa cita, entre outras distorções, a legislação trabalhista. Paga R$ 300,00 para o funcionário que lhe custa mais de R$ 400,00.
Antes de contratar a mão-de-obra eu era ''agricultor'' e me disseram, um dia, que era para guardar todas as notas de produtor rural, para efeito de aposentaria. Depois virei ''empregador'' e passei a recolher INSS. As notas fiscais já não justificavam mais o pedido de aposentaria.
Mas a rotina de Verussa - levantar cedo, trabalhar até o escurecer, vender produtos na feira aos domingos, etc - não mudou. No entanto, para garantir a aposentaria, quando tiver mais de 65 anos - teve que recorrer a um plano privado: paga R$ 50,00 por mês para receber ''lá na frente'', R$ 280,00/mês ele e R$ 290,00 a esposa.
Geraldo é feliz, embora não se conforme com o jeito como a agricultura é tratada pelos governos, seus imprevisíveis planos econômicos, impostos e distorções. Não fala por sí, mas pelos agricultores em geral.
Aqui se trabalha muito - diz - levantando muito cedo e aproveitando o tempo. Mas não reclamo disso. É o que gosto de fazer. ''Tem que dar duro, garante Verussa, que não abre mão das férias na praia e se orgulha de manter o filho em colégio particular.
''Quantos podem fazer isto com o ganho da agricultura'' - pergunta. Verussa também questiona o papel da mulher: no campo elas têm pouca chance de se integrar à sociedade urbana, não têm oportunidade de fazer cursos, etc.
''Enfim, faço agricultura porque gosto, apesar da vida consativa e sofrida''.
Quando perguntado sobre a profissão que deseja para o filho mais velho - que se prepara para o vestibular - Verussa não tem dúvida: ''Ele vai escolher a carreira que achar mehor, menos agricultura''.

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