Agricultor fez a história do Paraná
''O agricultor teve total importância para a história do Paraná''. As palavras são do professor de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL) José Miguel Arias Neto. A constatação é de que gente do campo, como Gabriel Cardoso dos Santos, o dono do sítio Corinthians Paulista, à base de muito trabalho, é que impulsionou o Paraná a destaque no cenário agrícola nacional.
O professor explica que a Província do Paraná se desmembrou da capitania de São Paulo em 1853, porém no século 18 o meio rural paranaense já tinha importância para a economia do país, principalmente com a criação de gado na região dos Campos Gerais, por onde passava o caminho de Viamão, que ligava o Rio Grande do Sul a Sorocaba (SP).
Depois, já no século 19, a produção de erva-mate é que ganhou destaque no Paraná, principalmente na região sul do Estado. O produto era exportado em grande quantidade para países europeus e para os Estados Unidos. ''A importância da erva-mate era tamanha que a concorrência entre os produtores brasileiros e paraguaios foi um dos fatores para que se desencadeasse a famosa guerra do Paraguai'', diz Arias Neto.
No século 20, o café chegou ao Paraná, depois de os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que eram os grandes produtores nacionais, firmarem um compromisso, em 1907, de não expandir a produção em suas terras, pois o produto já estava sobrando no país e perdendo valor no mercado internacional.
Logo em seguida começou a colonização da região de Londrina. ''As propagandas das terras da região Norte do Estado eram fantásticas, parecidas com a carta de Caminha, com a famosa frase: 'em se plantando, tudo dá'', comenta o historiador, referindo-se a Pero Vaz de Caminha, o escrivão da esquadra de Pedro Álvares de Cabral.
Em 1955, os senhores do café enfrentaram uma grande geada e as lavouras começaram a se diversificar, principalmente com a introdução da pecuária. Na década de 1960, é criado o Estatuto do Trabalhador Rural e muita gente é dispensada das fazendas. Surgem os bóias-frias.
''Atualmente, a maior parte da produção agrícola do Paraná é mecanizada e a cidade se faz muito presente na vida de quem está no meio rural. Para o futuro, é difícil dizer o que deve acontecer com o nosso campo e o nosso agricultor. Neste momento, está acontecendo a rodada de Doha, onde se discute a retirada dos subsídios agrícolas na Europa e Estados Unidos. Se isso acontecer, a agricultura do Brasil e do nosso Estado será muito estimulada. Fora isso, ainda não sabemos se a tendência para as próximas décadas será o investimento na cana, com a produção de etanol; nos grãos, para os alimentos; ou no milho, para a indústria'', finaliza Arias Neto. (W.S.)





