O agricultor Luiz Kondo, depois de ter cultivado café durante a sua vida inteira, erradicará seus últimos pés de café. Ele, que possui uma propriedade de 6,5 alqueires nas proximidades do aeroporto de Londrina, conta que não consegue mais achar ninguém para trabalhar na lavoura. ''O Bolsa-Família e a ida de alguns trabalhadores para a construção civil fizeram com que a gente não achasse mais gente para trabalhar com a gente'', revela. Kondo está com 81 anos e diz que esta foi a última safra de café que colheu. ''Colhi pouco, umas 100 sacas'', contabiliza.
Ele diz que praticamente nasceu debaixo de um pé de café e que é muito triste ter que erradicar toda a plantação. ''Agora vou entregar para um percenteiro trabalhar a terra para o plantio de soja ou milho'', diz. Kondo relata que o fato de sua propriedade ser pequena e de ter um relevo acidentado impede que seja mecanizada. ''E se a pessoa for utilizar uma colhedora de café, a máquina é pesada e são poucos os que aguentam carregá-la'', explica.
O agricultor lembra que antigamente vinham muitos trabalhadores do Nordeste para trabalhar na colheita do café, mas agora eles não estão aparecendo. ''Tínhamos pessoas que vinham de Alagoas para trabalhar na colheita e hoje diminuiu muito''. Segundo Kondo, nos últimos anos vinha recrutando pessoas que viviam na área urbana de Londrina, mas agora elas não estão aparecendo mais.
'' Quem plantou café viveu uma fase muito boa. Aqui na Rubiácea havia gente que circulava com carro Impala, que era um dos mais luxuosos da época e hoje todos aqueles que dependem dessa cultura empobreceram'', afirma. Além da propriedade rural, Kondo possui imóveis que aluga e é disso que tem tirado o seu sustento. ''Hoje, para trabalhar na agricultura, é preciso trabalhar à noite, aos domingos e mesmo assim o lucro é insignificante'', conclui.

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