Agricultor: do sonho a realidade
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de julho de 2001
Nilson Roberto Ladeia Carvalho 
No dia a dia, são muitas as pessoas residentes nas cidades, principalmente, profissionais liberais, pequenos empresários, funcionários públicos, professores, enfim, pessoas com uma certa estabilidade financeira que buscam informações para entrar na atividade agrícola.
Em geral, são pessoas que tiveram em sua origem no meio rural ou que já moraram na roça quando crianças e procuram os órgãos de extensão, assistência técnica ou a secretaria de agricultura com o seguinte questionamento:
- Tenho uma certa reserva financeira e estive pensando em comprar um sitinho de até uns cinco alqueires, e lá plantar um pouco de café, umas frutas e verduras, enfim uma propriedade divesirsificada. Meu interesse é produzir o suficiente para pagar as despesas de custeio e dentro de um prazo médio obter os recursos investidos. Nem precisa dar um grande lucro, o que não quero é ter prejuízo, pois sabe como é, tenho minhas origens na agricultura e gostaria de satisfazer o sonho de ser um proprietário rural. Agora, caso verifique que a atividade agrícola é rentável, quem sabe até deixe meu trabalho que é muito estressante e me torne um agricultor.
A partir daí, passamos a questioná-los sobre algumas coisas básicas como por exemplo : se pretende manter um empregado no sítio, até quanto pretende investir além do valor da terra, quanto acha que seriam os gastos de custeio com as lavouras, onde e como pretende comercializar a produção e se tem idéia dos preços médios recebidos pelos produtores durante a comercialização.
De forma alguma as informações prestadas são para desanimar os pretendentes a pequeno agricultor, porém são reais, e tanto é que a inflação oficial de 94 até a presente data foi de aproximadamente 95%, enquanto os preços dos alimentos, pagos aos agricultores, não chegou a 50%. Ou quando se informa o preço de uma saca de milho de 60 quilos vendida a R$ 7,00, enquanto uma saca de 20 quilos de milho híbrido para plantio pode ter valor acima de R$ 100,00. Mostramos que o preço dos produtos agrícolas é em real, enquanto o preço dos insumos é cotado em dolar.
A partir dessas considerações, vem o questinamento por parte deles:
_ Mas desse jeito é muito dificil ser agricultor aqui no Brasil. Se é desse jeito, como é que a maioria dos agricultores não quebram, pois pelo visto trabalham com uma economia negativa ?.
Podemos até dizer que funciona na agricultura o jeitinho brasileiro e a partir destas constatações verificamos que na realidade nossos agricultores não merecem ouvir considerações ou discursos como os que têm sido feitos em alguns congressos ou seminários : Nossos agricultores precisam se profissionalizar para enfrentar a globalização. Ora, quem tem conseguido sobreviver num sistema econômico como o nosso, certamente é muito profissional e tem muita competência para os negócios, pois mesmo com baixa escolaridade, não por opção, mas por necessidade e falta de oportunidade, mantém-se firme na atividade.
Acredito que o importante é proporcionar aos nossos agricultores, condições e maior oportunidade para o aperfeiçoamento e viabilização de suas atividades, além da capacitação para outras alternativas e não dizer que precisa se profissionalizar. Isto é realmente valorizá-lo e acreditar que estamos contribuindo para a melhoria da agricultura brasileira.
Diante da conjuntura atual, o agricultor deve ser mais do que nunca valorizado, principalmente pela sociedade urbana, pois é da produção de alimentos que dependem todos os seres humanos.
O meio ambiente, onde a questão das águas está em plena evidência, os agricultores têm papel determinante, pois a maioria das nascentes, córregos ou rios estão dentro das propriedades rurais. No setor econômico a agricultura ainda é a base para as exportações brasileiras e portanto fonte de riqueza para o nosso País.
Certamente, todos os agricultores merecem receber os cumprimentos neste Dia do Agricultor, que também deve ser um importante momento para a reflexão e a busca de novos caminhos, principalmente, para as entidades que atuam no setor, pois só existem em função desta Classe Profissional que não se entrega fácil, pelo contrário, muitas vezes sofre calada, mas que tem uma grande fé na próxima safra que será melhor. E para que isto ocorra, tanto os órgãos públicos, como as empresas privadas devem buscar a integração de suas atividades visando assim potencializar as ações, e contribuir para o sucesso real e não de sonho dos agricultores brasileiros.
O autor é engenheiro Agrônomo e Secretário Municipal de Agricultura e Abastecimento de Londrina


