Agricultor deve buscar Qualidade
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de outubro de 1997
Silvana Leão 
ParceirosRicardo Ralisch afirma que a intenção é aprofundar cada vez mais o trabalho conjunto com outros órgãosBuscar a qualidade na atividade agrícola é um caminho irreversível para a manutenção do produtor no mercado e, para isso, nenhum dos aspectos deve ser esquecidos. Um deles, a mecanização, pode desencadear grande aumento nos custos e gerar forte degradação ambiental quando feita de maneira incorreta. Esta semana o assunto foi tema de curso realizado pelo Centro de Treinamento Regional (CTR) do Departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que além de discutir o tema Qualidade na Mecanização Agrícola, propôs soluções práticas desenvolvidas por pesquisadores franceses.
Na opinião do professor e coordenador do CTR, Ricardo Ralisch, embora a região de Londrina possua uma agricultura tecnificada, ainda tem muito a melhorar em termos de qualidade agrícola. Por isso o curso procurou chamar a atenção para aspectos como pesquisa e avaliação do desempenho das máquinas.
Um dos palestrantes, Moises Storino, pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), lembrou que o controle da qualidade é a forma de verificar o modo como estão sendo feitas as operações no campo, para só assim poder combater os pontos falhos. Sabendo onde estão errando, as pessoas podem tentar se autocorrigir e melhorar continuamente, afirmou.
Erros mais comunsDe acordo com Storino, as principais falhas detectadas em relação à mecanização agrícola são a falta de informação de como o assunto, quando não encarado com a devida seriedade, pode representar prejuízo para o produtor; a inadequação dos equipamentos para determinadas tarefas; a não manutenção dos equipamentos; a falta de preparo dos operadores e, finalmente, a ausência de planejamento da atividade, que acaba levando às correrias de última hora. Estes fatores se entrelaçam e, na medida do possível, todos devem ser trabalhados, buscando queda nos custos e competitividade.
Mário CesarRoland Pirot: França tem interesse em ver países com boa capacidade produtiva utilizando tecnologias adequadas
Para poder determinar as condições da realidade prática dentro das propriedades e propor alternativas locais, o Centro de Treinamento da UEL desenvolve trabalhos conjuntos com outros órgãos, como o IAC, Embrapa, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Cirad, uma instituição francesa que tem por objetivo desenvolver pesquisas em agricultura tropical. Como o assunto é muito amplo, ligado à própria conservação do solo, nós pretendemos aprofundar cada vez mais estas parcerias, observou Ricardo Ralisch.
O Cirad representa o principal intercâmbio de trabalho com a Universidade, já que concentra seus trabalhos justamente em uma área carente de dados na região: a da pesquisa aplicada. Criado originalmente para dar assistência às antigas colônias francesas, o instituto só trabalha em condições de campo. Todas as pesquisas são feitas dentro das propriedades agrícolas, para que a aplicação dos resultados seja mais rápida. Além do Brasil, os pesquisadores franceses atuam em outros países de agricultura tropical, como os localizados em determinadas regiões da África.
Soluções simplesTendo em vista que o ponto de partida para todos os trabalhos desenvolvidos dentro do CTR (como formação de operadores, correta utilização e manutenção dos equipamentos, planejamento da atividade e desenvolvimento de equipamentos alternativos aplicáveis em situações adversas) partem da avaliação do desempenho da máquina, o curso realizado esta semana em Londrina teve a participação também do pesquisador Roland Pirot, especialista na área.
Pirot falou aos participantes de técnicas simples porém muito eficientes desenvolvidas pela instituição para avaliar o comportamento da maquinaria, como um sensor do consumo de combustível, um radar para medir a velocidade do trator em cada momento e um medidor de esforço que define qual a potência exigida para determinado tipo de trabalho. São sistemas de avaliação adaptáveis às condições do agricultor e desenvolvidos a partir de equipamentos já existentes no mercado com outras finalidades.
Para esclarecer as intenções da França em desenvolver equipamentos agrícolas destinados a países com uma realidade muito diferente da sua, Roland Pirot explicou que o interesse não é comercial, mas apenas social. Segundo ele, os franceses querem manter o relacionamento diplomático e cultural com estes países. Pirot não esconde, porém, a intenção demonstrada por eles de ver nos países com maior capacidade produtiva, como o Brasil, tecnologias adequadas de exploração agrícola.
A linha de trabalho do Cirad são os pequenos agricultores, que enfrentam cada dia mais dificuldades de subsistência. Um aspecto importante do trabalho desenvolvido pelo instituto é o intercâmbio de tecnologias entre os países de características semelhantes, como por exemplo levar práticas adotadas aqui para a África, e vice-versa, informou o pesquisador.


