A coleta de sangue para os exames sorológicos para identificar a presença do vírus da peste suína clássica está avançando no Estado. O trabalho foi iniciado no último dia 28 e na última semana intensificado em todas as regiões do Paraná.
A sorologia é resultado de um trabalho de erradicação da doença, iniciado em 1993, quando foi extinta a vacinação. À exemplo do procedimento técnico em relação à febre aftosa, os exames sorológicos constituem etapa fundamental para que o Paraná seja considerado livre da doença pela Organização Internacional de Epizootias (OIE).
Ampliar mercadosA expectativa é que o reconhecimento internacional deverá romper as barreiras que inibem a exportação de carne suína para mercados exigentes da Europa e Japão.
Os exames de sorologia contra peste suína clássica estão ocorrendo de forma simultânea em todos os Estados dos Circuítos Pecuários Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina), Centro-Oeste (Paraná, São Paulo, parte do Mato Grosso do Sul, de Mato Grosso, de Minas Gerais, de Goiás, Tocantins e Distrito Federal) e Leste (Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia e Sergipe).
Em todo o Brasil serão visitadas 2.127 granjas onde serão coletadas 29.240 amostras de sangue. No Paraná, serão visitadas 250 granjas e coletadas 3.600 amostras de sangue. Os exames serão enviados para o laboratório do Ministério da Agricultura, em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, e os resultados serão divulgados até meados de novembro.
Essa semana, a equipe de Vigilância Sanitária esteve na granja de suínos da empresa agropecuária Bawman, em Campo Largo, onde foram coletadas amostras de sangue em dois animais. Trata-se de uma granja tecnificada, onde predomina a higiene e o zelo dos tratamentos veterinários.
Granjas certificadas O Paraná conta com 126 mil granjas de suínos, das quais 46 são certificadas e submetidas ao monitoramento constante dos técnicos da Secretaria da Agricultura, para garantir as condições sanitárias.
A certificação é obrigatória apenas para granjas que vendem animais reprodutores. Segundo o chefe da Divisão Sanitária Animal, da Secretaria da Agricultura do Paraná, Felisberto Baptista, está ocorrendo um movimento das Vigilâncias Sanitárias Estaduais para que o Ministério estenda o monitoramento para as granjas de abate. ‘‘Seria uma forma mais eficaz de controle das doenças’’, defende Baptista.
Sem vírus No Paraná, a sorologia da peste suína clássica deverá comprovar se o vírus da doença está ausente no rebanho de suínos do Estado. O rebanho paranense, segundo dados da Seab, soma 4,17 milhões de cabeças.
‘‘Se houvesse vacinação, o resultado dos exames poderia ser confundido com a ocorrência da doença; diante da revelação de resultados falsos positivos’’, explica Baptista.
Segundo Baptista, em função disso, a equipe técnica substituiu a vacinação periódica pelo rifle sanitário, que abate de forma imediata todos os animais suspeitos. Baptista disse que em 1997 surgiu um foco da doença no município de Toledo e os animais foram isolados e mortos. ‘‘Sem a vacinação, os técnicos têm condições de fazer um diagnóstico preciso e todas as ações da Vigilância Sanitária têm que ser ágeis e transparentes’’, justifica.

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