Jota Oliveira
De Londrina
Quem adverte é o presidente da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), Roberto Rodrigues. Ele avisa que as cooperativas precisam assumir a competição, e que elas têm que ser eficientes e ágeis, ‘‘para obterem resultados econômicos e financeiros positivos’’. o dirigente do setor ressalva que este ‘‘não é um fim em si mesmo’’, mas ‘‘o meio pelo qual as cooperativas servirão a seus cooperados, garantindo-lhes também a competitividade de cada um e, portanto, sua sobrevivência e chance de progresso’’.
Questões aparentemente contraditórias para as cooperativas, admite Rodrigues, porque ‘‘a competição acirrada, a busca pela eficiência máxima, a redução de custos e de preços, qualidade, produtividade, incorporação de novas tecnologias, profissionalização, etc., são temas dominantes pelo mundo afora, e se caracterizam pelo predomínio do econômico sobre o social’’.
RealidadeEmbora as cooperativas dêm prioridade ao social, elas ‘‘não podem ficar fora desta realidade’’. Ele frisa que as cooperativas terão que reduzir seus custos e aprimorar sua gestão, ‘‘e isto implicará certamente em despedir funcionários’’. Desse ‘‘expurgo’’ também não poderão escapar os ‘‘maus dirigentes, os incapazes, os corruptos e os lerdos’’, nem os ‘‘maus cooperados’’.
Além disso, as cooperativas devem tratar de modo diferente os membros em função do seu tamanho, ‘‘de sua eficiência individual e da reciprocidade que dão à cooperativa’’. Rodrigues admite que tudo isso ‘‘é uma aparente contradição à doutrina cooperativista, porque também afronta o social, com prevalência do econômico’’. Mas, ele justifica: ‘‘Não há outra saída. É preciso ser eficiente mesmo e não há eficiência com empregados ociosos, maus dirigentes ou associados não participativos. É preciso também premiar os melhores, empregados ou sócios. Tal contradição exige algumas reflexões importantes.’’
A nova cooperativaRoberto Rodrigues afirma que a definição das cooperativas como ‘‘organizações que prestam serviços de interesse comum a seus associados’’ já não basta. Os serviços dessas empresas ‘‘precisam garantir a cada associado a sua própria competitividade na economia globalizada’’, argumenta. Esse conceito, segundo ele, ‘‘implica mudança da forma de atuar da cooperativa junto ao cooperado’’.
O presidente da ACI diz que no caso de alguns setores, como o agrícola, ‘‘pode até caber’’ uma espécie de intervenção branca da cooperativa na gestão empresarial do associado, para ajudá-lo.
Ao se ajustar, para competir, a cooperativa acaba contribuindo para o desemprego estrutural. ‘‘As cooperativas só tomaram corpo quando do advento da revolução industrial em meados do século passado – embora a doutrina já fosse mais antiga –, exatamente porque o desemprego cresceu assustadoramente. Pode-se dizer que a revolução industrial causou a primeira onda de desemprego e esta estimulou a criação de cooperativas. Ora, a globalização leva à segunda onda de desemprego, o que equivale a uma segunda oportunidade para as cooperativas’’.
Mas, a principal ênfase do presidente da Aliança Cooperativa Internacional é a eficiência: ‘‘Está claro que os mais ágeis vencerão a guerra por mercados e lucros’’. Essa exigência deve tirar das cooperativas um pouco do seu caráter democrático, para não perder tempo fazendo consultas aos associados. ‘‘A nova realidade não permite a perda de tempo eventualmente dada pela consulta. É preciso abreviar o tempo de decisão, sem que isto represente perda de controle da cooperativa pelo cooperado. A solução está em um binômio, a profissionalização na gerência e eleições periódicas, com mandatos máximos de três anos, ‘‘de dirigentes que apresentem programas claros.’’

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