Agente de transformação da agropecuária
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de dezembro de 2009
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
Reportagens, fotos e ilustrações da Folha Rural nos últimos 40 deram voz ao produtor, seus anseios, suas vitórias e suas angústias. O espaço semanal de um dos maiores suplementos da Folha de Londrina retrata avanços da pesquisa agropecuária obtidos em instituições locais, nacionais e do exterior. O leitor produtor, pesquisador ou o urbano recebem toda semana informações sobre os rumos do setor e os efeitos que causam na sua vida.
A Folha Rural é um dos mais importantes produtos da Folha de Londrina, atesta o jornalista Jota Oliveira, que foi editor do suplemento por mais de 10 anos, dentre os mais de 40 que atuou no jornal. Segundo ele, a Folha Rural sempre teve como enfoque o bem da produção no campo, acompanhando e retratando as diferentes fases da agropecuária no Paraná.
Na primeira fase do suplemento, no início da década de 1970, a ênfase era a cafeicultura, um dos mais importantes produtos da economia paranaense. Mas a cultura sempre padeceu com a dinâmica imposta pelo mercado nacional e internacional e acabou dizimada pelo clima, com a geada de 1975.
A partir daí, o jornal passou a retratar a multiplicidade de opções da agropecuária os campos paranaenses se encheram com lavouras de soja, trigo e milho. A Rural também abriu o espaço para o trabalho desenvolvido por centenas de pesquisadores no Iapar, nas várias unidades da Embrapa, sobretudo da soja, que tem sede em Londrina.
De acordo com Jota Oliveira, o jornal funciona como uma via de mão dupla. A Folha Rural ao mesmo tempo divulga os inúmeros avanços da pesquisa e expressa os anseios e necessidades de quem utiliza e se beneficia das tecnologias geradas nessas instituições. O jornalista também destaca o papel da extensão rural, sempre presente nas páginas do suplemento.
Jota afirma que o setor alcançou importante desenvolvimento nos últimos anos. Hoje a produção agropecuária tem altos níveis de produtividade e o Estado ampliou suas opções de cultivo, diz, citando a produção de maçã, pera e uva, antes limitada às regiões de clima temperado.
O ex-editor da Folha Rural lembra da intensa luta, que contou com o apoio do jornal, pela liberação do cultivo de cítricos no Paraná, proibido por imposição do governo e dos produtores paulistas desde a década de 1960. Hoje a citricultura paranaense alcançou um sucesso enorme, diz.
Jota afirma que a Folha Rural foi uma grande experiência e enriqueceu a sua vida profissional. Para ele, o suplemento é um instrumento de defesa da agropecuária e agronegócio e tem um futuro de muito êxito.
O engenheiro agrônomo Florindo Dalberto foi o primeiro editor da Folha Rural. Na época, ele era diretor da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina, e participou da criação do suplemento ao lado do presidente da entidade, Harley Leopoldo Pereira. A Folha Rural veio atender um anseio dos profissionais que não tinham um meio para difundir suas ideias e fatos relevantes. Para a Folha de Londrina a motivação foi registrar e divulgar esses fatos, relembra Dalberto, hoje presidente da associação e da federação paranaense dos agrônomos. Ele lembra que a Folha Rural foi o segundo suplemento agrícola de um jornal com boa circulação. Antes dele só havia o caderno do O Estado de S. Paulo.
A capa do primeiro número é simbólica, de acordo com Dalberto. O ramo de café era a expressão da agricultura do Paraná naquele momento, afirma. Para ele, o suplemento é o agente da transformação da agricultura no Paraná. A Folha Rural participou das importantes agendas do Estado, como a criação do Iapar e implantação de cursos de agronomia, diz.


