Reportagens, fotos e ilustrações da Folha Rural nos últimos 40 deram voz ao produtor, seus anseios, suas vitórias e suas angústias. O espaço semanal de um dos maiores suplementos da Folha de Londrina retrata avanços da pesquisa agropecuária obtidos em instituições locais, nacionais e do exterior. O leitor produtor, pesquisador ou o urbano recebem toda semana informações sobre os rumos do setor e os efeitos que causam na sua vida.
  ‘‘A Folha Rural é um dos mais importantes produtos da Folha de Londrina’’, atesta o jornalista Jota Oliveira, que foi editor do suplemento por mais de 10 anos, dentre os mais de 40 que atuou no jornal. Segundo ele, a Folha Rural sempre teve como enfoque ‘‘o bem da produção no campo’’, acompanhando e retratando as diferentes fases da agropecuária no Paraná.
  Na primeira fase do suplemento, no início da década de 1970, a ênfase era a cafeicultura, um dos mais importantes produtos da economia paranaense. Mas a cultura sempre padeceu com a dinâmica imposta pelo mercado nacional e internacional e acabou dizimada pelo clima, com a geada de 1975.
  A partir daí, o jornal passou a retratar a multiplicidade de opções da agropecuária – os campos paranaenses se encheram com lavouras de soja, trigo e milho. A Rural também abriu o espaço para o trabalho desenvolvido por centenas de pesquisadores no Iapar, nas várias unidades da Embrapa, sobretudo da soja, que tem sede em Londrina.
  De acordo com Jota Oliveira, o jornal funciona como uma via de mão dupla. A Folha Rural ao mesmo tempo divulga os inúmeros avanços da pesquisa e expressa os anseios e necessidades de quem utiliza e se beneficia das tecnologias geradas nessas instituições. O jornalista também destaca o papel da extensão rural, sempre presente nas páginas do suplemento.
  Jota afirma que o setor alcançou importante desenvolvimento nos últimos anos. ‘‘Hoje a produção agropecuária tem altos níveis de produtividade e o Estado ampliou suas opções de cultivo’’, diz, citando a produção de maçã, pera e uva, antes limitada às regiões de clima temperado.
  O ex-editor da Folha Rural lembra da intensa luta, que contou com o apoio do jornal, pela liberação do cultivo de cítricos no Paraná, proibido por imposição do governo e dos produtores paulistas desde a década de 1960. ‘‘Hoje a citricultura paranaense alcançou um sucesso enorme’’, diz.
  Jota afirma que a Folha Rural foi uma grande experiência e enriqueceu a sua vida profissional. Para ele, o suplemento é um instrumento de defesa da agropecuária e agronegócio e tem um futuro de muito êxito.
  O engenheiro agrônomo Florindo Dalberto foi o primeiro editor da Folha Rural. Na época, ele era diretor da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina, e participou da criação do suplemento ao lado do presidente da entidade, Harley Leopoldo Pereira. ‘‘A Folha Rural veio atender um anseio dos profissionais que não tinham um meio para difundir suas ideias e fatos relevantes. Para a Folha de Londrina a motivação foi registrar e divulgar esses fatos’’, relembra Dalberto, hoje presidente da associação e da federação paranaense dos agrônomos. Ele lembra que a Folha Rural foi o segundo suplemento agrícola de um jornal com boa circulação. Antes dele só havia o caderno do ‘O Estado de S. Paulo’.
  A capa do primeiro número é simbólica, de acordo com Dalberto. ‘‘O ramo de café era a expressão da agricultura do Paraná naquele momento’’, afirma. Para ele, o suplemento é o agente da transformação da agricultura no Paraná. ‘‘A Folha Rural participou das importantes agendas do Estado, como a criação do Iapar e implantação de cursos de agronomia’’, diz.

mockup