Aftosa: fim da vacinação de bovinos preocupa produtores


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Lideranças da pecuária em Londrina defendem que o Paraná mantenha o cronograma estabelecido pelo Ministério da Agricultura para o fim das imunizações
Lideranças da pecuária em Londrina defendem que o Paraná mantenha o cronograma estabelecido pelo Ministério da Agricultura para o fim das imunizações | Gina Mardones/6-11-2015




No mês de novembro foi realizada a segunda etapa da campanha de vacinação contra febre aftosa no Paraná. Luly Turquino mostra no Multi Agro deste domingo (1) como foi a imunização dos animais no Estado.

A campanha de vacinação contra febre aftosa no Paraná ainda é feita em duas etapas: na primeira que é realizada em maio são vacinados os bovinos e búfalos com até 24 meses de idade. Na segunda etapa todos os animais da propriedade devem ser vacinados.

O veterinário Clayton Lopes explica que a febre aftosa é uma doença com alto poder de contaminação e que causa prejuízos econômicos monstruosos no mundo inteiro. "No Brasil se adotou a vacinação de febre aftosa como no mundo todo e a gente vem buscando chegar em um patamar que permita erradicar esse vírus em todos os estados brasileiros."

A febre aftosa tem esse nome por ser uma doença viral que provoca febre alta e diversas aftas na boca dos bovinos, dificultando a alimentação. Os animais doentes acabam perdendo peso e diminuindo a produção de leite. A principal consequência da zoonose é econômica, porque os animais e produtos das áreas contaminadas não podem ser comercializados para áreas livres da doença.

Para a vacinação dos bovinos são precisos alguns cuidados. Lopes diz que primeiro a vacina "tem que ficar no gelo, bem acondicionada e não pode sofrer choques de temperatura. A atenção se estende também à higiene do aparelho, que deve estar bem higienizado, agulha tem que ser nova, sem contaminação. Quanto menos contaminação, melhor vai ser o resultado da vacinação".

Neste ano o governo do Paraná encaminhou um ofício para que o Estado seja considerado livre de febre aftosa sem vacinação já em 2019. Para Lopes, o sonho de todos os produtores e de todos os técnicos é que o Paraná seja livre da doença sem vacinação. "Creio que esse não seja o melhor momento para que se tome essa atitude. Já temos o exemplo de Santa Catarina que tinha um rebanho expressivo e após ser declarada livre sem vacinação teve suas fronteiras fechadas. Nós temos em torno de 9,5 milhões de cabeças de gado. Com o fechamento das nossas fronteiras nós vamos perder muito com a entrada e saída de genética."

O presidente da ANPBC (Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte), Alexandre Turquino, afirma que o Ministério da Agricultura já tem uma programação para que todos os Estados do Brasil parem de vacinar nos próximos anos. "Então porque o Paraná vai sair na frente, vai arriscar esses dois, três anos que faltam? Isso é uma pergunta minha. Para quem interessa parar de vacinar e a gente ficar uma ilha dentro do Brasil?", questiona.

Afrânio Brandão, ex-presidente da SRP (Sociedade Rural do Paraná) e atual membro do conselho da entidade, conta que diversos associados mantêm suas vidas na entressafra usando a área de agricultura para fazer pastejo e engorda de gado vindo de outros Estados, por não haver disponibilidade de bezerros no Paraná. "Esta atividade vai acabar e isso vai trazer um prejuízo muito grande para esse pessoal. Eu sou criador aqui, meu bezerro vai subir de preço, porque nós não podemos trazer de fora. Para mim seria bom, mas eu não vejo com bons olhos quando você procura jogar todo o benefício para uma atividade prejudicando alguém", diz.

A Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná) fez algumas auditorias neste ano para discutir o assunto e que indicaram várias tarefas a serem feitas. "O que a Adapar vem fazendo nos ajuda a verificar se o momento é tecnicamente recomendável, estrategicamente também interessante e politicamente sustentável. Então são momentos que teremos que avaliar com muita calma e cautela para não errarmos", diz George Hiraiwa, secretário da Agricultura e Abastecimento do Paraná.

O Multi Agro vai ao ar no próximo domingo às 8h na Multi TV (canal 20 e 520 da NET) com reprises diárias.

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