Aftosa ainda precisa de atenção
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sexta-feira, 02 de junho de 2000
Jota Oliveira 
A Organização Internacional de Epizootias (OIE) reconheceu, no dia 24 de maio, como livre de febre aftosa com vacinação, o Circuito Pecuário Centro-Oeste. A divulgação da notícia foi assistida por numerosa delegação brasileira, da qual faziam parte as mais importantes representações da agropecuária do Paraná, como a Federação da Agricultura (Faep), a Sociedade Rural e a Ocepar.
Tanto interesse justifica-se, porque pecuaristas e industriais paranaenses e dos demais Estados abrangidos pelo Circuito Centro-Oeste (São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso) esperavam (e agora mais ainda) abrir novos mercados e ampliar outros. Como se poderá ver em matérias publicadas nesta edição da Folha Rural, o próximo passo é no sentido de conquistar aqueles clientes pobres, famintos e pouco exigentes do Terceiro Mundo e os ricos, satisfeitos e muito exigentes consumidores do Primeiro Mundo.
É dessa área que deve surgir a maior reação. Menos pelos consumidores, mais por seus fornecedores atuais, e em especial os fornecedores de seus países grandes produtores. Coisa curiosa nessa exigência toda, dos países ricos, é que a aftosa foi transmitida através deles. A primeira notificação que se conhece da febre surgiu na Itália, há quase 600 anos, embora haja relato da doença há mais de 2 mil anos.
Da hoje exigente Itália a doença propagou-se para França, Inglaterra e outros países europeus, até que acabou sendo detectada na Argentina, importante produtor de Bos taurus, o boi europeu. Outras fontes apontam os Estados Unidos como o local de entrada da aftosa nas Américas. Seja qual for a versão correta, pouco interessa hoje por onde chegou a febre. O que mais importa é que ela seja erradicada definitivamente. Para isto a vigilância precisa continuar, mesmo depois que todas as áreas forem consideradas livres de aftosa sem vacinação.
Para chegar a esse ponto, leva-se ainda algum tempo. Luiz Carlos de Oliveira, chefe de Vigilância Sanitária do Ministério da Agricultura, explica que Rio Grande do Sul e Santa Catarina, reconhecidos em primeiro lugar livres de aftosa com vacinação, precisam ficar um ano indenes, para serem considerados livres sem vacinação. Espera-se que o anúncio da OIE nesse sentido seja feito em maio de 2001. Essa área já foi considerada livre sem vacinação, pelo Ministério da Agricultura, mas somente no ano que vem poderá a decisão brasileira ser ou não referendada pela OIE.
A decisão anunciada pela OIE na última quarta-feira em Paris foi o primeiro passo para a penetração da carne verde do Circuito Centro-Oeste na Europa e países de outras regiões do mundo. O próximo passo será o reconhecimento de cada país, de acordo com as regras internacionais, mas também segundo as exigências de cada país. O Brasil já exporta carne bovina para a Europa e outras regiões, mas carne sem osso e maturada condição que mantém inativo o vírus da aftosa, devido à baixa temperatura a que o produto é submetido no processo industrial.
É ainda Luiz Carlos de Oliveira quem recomenda: o setor produtivo precisa se organizar, para vender mais carne, como se espera, porque o Ministério da Agricultura não vende nada... O Ministério da apoio institucional ao setor produtivo; auxilia na formação da imagem das empresas brasileiras. E a pecuária brasileira em si tem outras vantagens, como produção orgânica e animais criados em pastagem. O produto natural é uma marca brasileira, diz Oliveira.
O autor é editor da Folha Rural.


