Aenda questiona registro de OGM
A polêmica que envolve a soja transgênica no Brasil têm entre as origens, de acordo com Oliveira, a nomenclatura que o novo produto recebeu. Ele questiona o tratamento que vem sendo dado à soja geneticamente modificada pela legislação.'' A incorporação do gene CP4-EPSP em um determinado cultivar de soja, extraído da bactéria Agrobacterium e conferindo à planta uma tolerância ao herbicida glifosato, seria suficiente para mudar de espécie a planta receptora?'', pergunta.
Oliveira afirma que após discussões iniciais, as referências científicas apontam para a existência de apenas uma soja. ''Da mesma forma que as diferenças relativas a aspectos morfológicos e fisiológicos existentes entre distintos cultivares não os afastam do mesmo agrupamento botânico, também a soja modificada geneticamente por ora apresenta o mesmo conjunto de características bem acima de 99% em relação a seus parentais, o que lhe concede o direito de continuar na espécie Glycine max.'', diz.
Entretanto, ressalta, ''o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) acatou a denominação soja geneticamente modificada, soja OGM ou soja RR ao aprovar o registro número 7604 do herbicida Roundup Ready, com recomendações só para a tal soja geneticamente modificada''.
O diretor da Aenda faz outro questionamento. ''Será que o Roundup Ready não pode ser usado em soja convencional?''. Segundo ele, os casos dos registros 9306 do Roundup Transorb R e do 9106 do Roundup Ultra são mais expressivos ainda, pois trazem recomendações para soja e para soja RR. ''Isso certamente contraria a própria determinação do Mapa que em sua Portaria 42/2002 relaciona todas as culturas e os alvos biológicos para fins de rótulo e bula. Nessa portaria só existe soja''.
De acordo com Oliveira, se a posição do Mapa que criou a cultura da soja geneticamente modificada for ''levada a ferro e fogo'', não haveria nenhum outro produto registrado para a cultura além do Round-Up Ready e seus congêneres da Monsanto. ''Seria um caos para a agricultura paranaense, onde não se poderia receitar os fungicidas, inseticidas e demais produtos hoje vendidos na soja convencional'', critica. (R.C.)





