ReproduçãoA maioria dos produtores que exploram o sistema soja-trigo têm um elevado custo de produção, principalmente por causa da adubação mal feita: ‘‘pecam’’ por falta ou por excesso. Baseado nesta constatação, grupo de pesquisadores da Embrapa-Soja desenvolveu alguns experimentos durante sete anos com objetivo de racionalizar estes custos.
Acaba de ser lançada publicação com os resultados destes trabalhos, que trata da adubação fosfatada e potássica para a sucessão soja/trigo em latossolo roxo distrófico sob semeadura direta. As informações são bastante oportunas para quem se prepara agora para plantar o trigo, e vai cultivar a soja no verão.
Para o pesquisador Áureo Francisco Lantmann, os experimentos mostram que se for feita uma adubação correta na cultura do trigo, pode-se reduzir até zero a adubação na cultura da soja. ‘‘Considerando que o adubo representa 30% do custo de produção, o produtor pode fazer uma boa economia, e melhorar sua rentabilidade’’, comenta Lantmann.
Plantio diretoO sistema de semeadura direta preserva as melhores características físicas e biológicas do solo, assegurando melhor rendimento das culturas. O pesquisador comenta que esta recomendação é especialmente indicada para o plantio direto. Segundo ele, no Paraná aproximadamente 50% das áreas já utilizam a tecnologia do plantio direto.
A publicação mostra 10 alternativas de tratamento para estabelecer o esquema de adubação no sistema soja-trigo. As recomendações são válidas não só para o Paraná, mas também o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e parte de São Paulo.
Considerando que no Paraná, na última safra, cerca de 72 mil produtores plantaram soja, o pesquisador estima que metade deles, que devem utilizar o plantio direto, poderiam se beneficiar com esta tecnologia.
‘‘Mesmo que o trigo produza pouco ou que o preço não seja muito favorável, vale a pena investir na adubação, pois ele acabará ganhando na soja’’, destaca Lantmann. O pesquisador lembra também que reduzir a adubação química é bom para o bolso, mas também contribui para a melhoria das condições do ambiente.
Fósforo e potássioOs experimentos mostram que o sistema soja-trigo extrai alta quantidade de fósforo e potássio do solo, que precisam ser repostos periodicamente em função do quê indicar a análise de solo.
O potássio confere à planta resistência a uma série de doenças tal como o cancro da haste, e o fósforo é um elemento essencial, responsável pela produtividade e pela formação de compostos que dão energia à planta.
Verificou-se também que a calagem tem um efeito mais prolongado, mantendo-se
por até seis anos no plantio direto. No plantio convencional é provável que o efeito seja menor. Neste sistema de trabalho o solo permanece com ausência de alumínio tóxico durante seis anos e manteve também neste período concentração de cálcio e magnésio suficiente para melhorar a produtividade da soja-trigo.
‘‘O produtor deve procurar adubar o trigo com base na análise de solo e histórico da área, garantindo a produtividade do trigo e um efeito positivo no solo para produzir bem a soja’’, diz Lantmann. O retorno econômico relativo ao uso do fertilizante pode chegar a R$ 420,00 por hectare no trgio , e até R$ 780,00 por hectare na soja, tendo-se por base o preço histórico do trigo de R$ 0,16 o quilo, e soja R$ 0,21 o quilo.
A análise econômica conclui também que a receita líquida proporcionada pela adubação está na dependência, em primeiro lugar, do estado da fertilidade do solo, e em segundo, do conhecimento das alternativas de fertilidade do solo que o sistema de sucessão soja-trigo possa oferecer ao longo dos anos, para seu melhor aproveitamento.
A publicação está à disposição de produtores e técnicos interessados na Embrapa-Soja, em Londrina. Solicitar a: Área de Difusão de Tecnologia; caixa apostal 231; CEP 86001-970 - Londrina, PR; pelo telefone (043) 371-6000 ou fax (043) 371-6100.

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