A boa qualidade da terra é a base para o desenvolvimento eficiente da agricultura e o uso do adubo orgânico vem se popularizando nos últimos dez anos. A utilização de adubação química não é considerada indispensável, mas com o aumento da frequência do uso da adubação orgânica, a terra fica mais resistente.
Para o pesquisador da área de solos do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) Mario Miyazawa como o solo brasileiro é de clima tropical a utilização conjunta do adubo orgânico e do adubo químico é ideal. ''A adubação orgânica promove o aumento da vida e da produtividade do solo, ao contrário da química - que, embora também seja importante na reposição de mineirais -, pode diminuir a produção, se utilizada continuamente e como única fonte de nutrientes'', afirmou Miyazawa. Já nos climas temperados, mais frios, a adubação orgânica não é mais recomendada, pois a decomposição dos nutrientes é mais lenta.
Produção de adubos
Há mais de 20 anos trabalhando com a produção de adubo orgânico feito por compostagem, o empresário Edson Nunes da Silva, da Humorgan, afirma que o adubo pode ser utilizado para qualquer cultura. ''O adubo orgânico não beneficia apenas a planta como a maioria dos adubos químicos, mas privilegia a terra, que passa a ter mais estrutura e nutrientes, ficando mais resistente à seca, além de promover o aumento do volume das raízes das plantas'', informou.
Com o crescimento do cultivo de produtos orgânicos no Paraná, Silva observou que os agricultores estão mais interessados em utilizar insumos livres de substâncias químicas. Segundo ele, as vendas do composto para pequenos produtores de hortifrutícolas aumentou em 60%. ''Há uma grande preocupação em isentar a produção dos agrotóxicos'', acredita. Entre os grandes produtores o crescimento foi mais discreto, atingindo 20%.''Os maiores utilizam o adubo orgânico principalmente para produzir mudas'', comentou.
No adubo orgânico produzido por Nunes estão incluídos sebo e bucho de boi, bagaços de cana e de laranja, palhas de café, arroz, milho, e restos industriais como cinzas, pó de serra e raspas de couro de cortume, entre outros materiais.
Todo o material utilizado é disposto em camadas que passam por uma câmara de fermentação, cozimento e pasteurização nos primeiros 60 dias do processamento. Depois disso, o produto é compostado por 30 dias, e após esse período é transportado para outro local para que as bactérias aeróbicas recebam oxigenação durante mais 30 dias. No final, todo o material é peneirado para a homogeneização do adubo final que é 100% orgânico.
Matéria-prima
''A qualidade das matérias-primas é fundamental para o bom andamento do processo técnico da produção industrial do adubo orgânico, que dessa forma se diferencia da produção orgânica caseira em que muitas vezes os produtos na verdade apodrecem, ao invés de serem decompostos adequadamente, e assim perdem os seus nutrientes'', destacou Nunes que fabrica uma média de 500 toneladas de adubo orgânico por mês.
A produtora de mudas Maristela Monice há quatro anos optou pela utilização do adubo orgânico no plantio de folhagens e gramados. ''O resultado é excelente, pois a terra fica mais aerada e fofa. No caso de plantio de flores, incluo húmus e adubo químico à base de boro para ajudar no florescimento'', afirmou Maristela.
Nas casas de vegetação da Embrapa, onde são pesquisadas diversas variedades de soja, a adubação orgânica é utilizada há cinco anos. ''Como é um trabalho de pesquisa, tentamos fornecer produtos naturais e de qualidade para o solo para avaliarmos o desempenho da cultura sem a interferência de insumos químicos industrializados. Também gostaríamos de utilizar esterco bovino e de galinha, mas não temos fornecedores que possamos confiar que não usem agrotóxicos nas pastagens e antibióticos nas rações'', informou o técnico Alisson Lasmar de Moura. (Colaborou Carolina Avansini)

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