Os tempos são outros. Muitos pecuaristas estão mudando a maneira de ver os investimentos em tecnologias de produção recomendadas por técnicos e pesquisadores. A opinião é professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), de Piracicaba (SP), Moacir Corsi.
Em propriedades onde se adotam a adubação de pastos e a rotação de pastagens com divisão de áreas de piquetes, os resultados são visíveis no aumento de número de animais por área e ganho de peso, garante o professor. De acordo com Corsi, grande parte dos pecuaristas estão adotando um gerenciamento profissionalizado e a preocupação não tem sido somente como enfrentar o inverno e sim manter eficiência de produção o ano todo.
A adubação nitrogenada das pastagens, de acordo com Moacir Corsi, numa média de 400 kg/ha/ano, é benéfica para a produção de carne no verão e possibilita até dobrar o número de animais por hectare em comparação a áreas sem o manejo. Mas é no inverno que o retorno desse investimento se mostra mais ''visível.''
As pastagens, que neste período não apresentam muito crescimento, mas que foram adubadas e são usadas em rotação, com pastoreio escalonado, são capazes de pelo menos sustentar o peso dos animais na seca. Num ano como este - quando as alternativas de alimentação se mostram reduzidas -, as propriedades que tiverem um bom manejo de pasto não terão muitos problemas com os animais, do contrário a recomendação é reduzir o número por área.
Exemplo prático - Um exemplo está numa propriedade do Norte Pioneiro onde o pecuarista adota a adubação há quatro anos. Com o manejo, os animais passaram a ganhar o mínimo de 400 gramas/dia no inverno. No verão esse ganho pode chegar a mais de 1 kg/dia. A lotação também aumentou, de 1 para 5 animais por hectare, otimizando a atividade. A adubação e o manejo rotacionado do rebanho têm permitido uma lucratividade de 100%. O investimento na adubação, para um rebanho de 600 animais, custa em média R$ 500,00/ha/ano, enquanto a receita, dependendo do mercado, nunca tem sido inferior a R$ 1 mil.
Decida antes - Toda a decisão sobre o manejo no inverno, no entanto, alerta Moacir Corsi, deve ser tomada muito antes, no início do ano. Uma das medidas para adequar a oferta de alimentos no inverno, sem altos investimentos para atender a demanda do rebanho, é estabelecer o pasto diferido, que é uma reserva de áreas a partir de fevereiro ou março.
Essas áreas só serão usadas no inverno. Para diferir a pastagem o professor orienta reservar primeiro 1/3 da área planejada e os 2/3 restantes a partir de abril/maio. ''Ainda dá tempo para quem não tomou nenhuma providência'', avisa. O diferimento deve ser feito em 30% do total das pastagens, sendo possível com isso manter até 2,5 UA/ha, explica o professor, considerando que uma UA representa um aninal de 450 kg de peso vivo.
Se o pecuarista pretende ter uma lotação maior, avisa Moacir Corsi, será necessário fornecer silagem de capim ou gramínea tropical que são produzidas no verão, quando há excesso de forragens.
''Com o uso da silagem é possível obter ganhos de peso no inverno, mas este recurso deve ser usado para alimentar animais de maior exigência nutricional a partir de agosto, como vacas perto de parição ou novilhas recém paridas. Se houver condição é recomendado fornecer também para as vacas de mais de uma cria, para que o período de serviço seja mais curto a fim de obter uma parição por ano.''
Ainda dá tempo - No Norte do Paraná, de acordo com Corsi, ainda é possível semear culturas de inverno para pastoreio como aveia, azevém, ervilhaca. ''Ainda dá tempo. Este plantio deve ser executado ao redor de abril, mas como este ano a chuva atrasou, quem puder arriscar, melhor.'' Com isso o pecuarista poderá fornecer o alimento necessário para os animais de maior exigência nutricional e o retrono será visível na taxa de prenhez da próxima estação de monta.
Segundo o professor, alguns pecuaristas estão tendo dificuldades em achar sementes de aveia e azevém na região. Ele tem ouvido dos produtores que a disponibilidade de sementes de culturas de inverno também estão com preços elevados. Mesmo assim, recomenda o investimento, já que o retorno econômico do uso deste recurso é interessante à atividade.
''A forrageira de inverno pode ser usada para terminar animais que poderão ter preços mais vantajosos durante a entressafra ou então obter taxas de prenhezes mais elevadas no final do ano. Para o pecuarista que ainda que ainda pretende cultivar forragens de inverno o ideal é procurar informações nas cooperativas mais próximas de sua propriedades,'' recomenda Moacir Corsi.


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