Francismar Lemes
Reportagem Local
Um admirável mundo novo desponta no campo, redefinindo o perfil do pequeno produtor. A produtividade acima da média paranaense e o entrosamento entre a lida na roça e o trabalho formal ou informal na cidade são pontos comuns desses neo-camponeses. A extensão rural exerce papel importante nesse processo ao difundir tecnologia.
  O novo produtor emerge de pequenas propriedades, vilas rurais e assentamentos e representam o resultado dos 50 anos do trabalho da Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), que ajudou a melhorar a produtividade, incentivando os agricultores a diversificarem a produção, as práticas agropecuárias e ambientais.
  Exemplos positivos e negativos do trabalho de extensão ou da falta de um acompanhamento técnico vêm das vilas rurais. No Paraná são 405 comunidades, com 15.590 casas, o que representa um número semelhante de famílias beneficiadas.
  Algumas condições são necessárias para o sucesso da vila rural.
  ‘‘O que faz com que uma vila rural dê certo é, entre outros fatores, a localização dos lotes. Quanto mais perto do município, as condições de vida do morador será melhor, com acesso aos serviços básicos, como saúde e educação. Estradas pavimentadas também são importantes, assim como a continuidade da política agrícola’’, avalia o engenheiro agrônomo da Emater, Cristovon Videira Ripol, que presta assistência técnica às três vilas rurais de Pitangueiras (84 quilômetros ao norte de Londrina).
  No município com uma população de 2.594 habitantes, sendo que 16% desse número moram nas comunidades Antônio Pinguelli (23 lotes), Manoel Garcia Espinosa (19 lotes) e Ernesto Sgorlon (42 lotes), a extensão rural ajudou a desenhar o novo rosto do homem do campo, que está rindo à toa com atividades que contribuem com até R$ 400 mil do Produto Interno Bruto (PIB) municipal.
  ‘‘São famílias que chamam a atenção de universidades, cursos de pós-graduação em desenvolvimento rural, interessados em conhecer o trabalho dessas pessoas’’, afirma Ripol.
  Esse novo rosto do pequeno agricultor pode ser representado por Neide André Ferreira Rosa, 38 anos, moradora da vila rural Manoel Garcia Espinosa.
  Antes de ser protagonista de uma revolução no campo, Neide trabalhava num frigorífico de frangos e, atualmente, comanda as 12 mulheres e jovens numa facção montada com recursos de projetos voltados para a agricultura familiar.
  ‘‘O grupo preferiu a facção a uma confecção. As pessoas entram para aprender um ofício e acabam conseguindo emprego com carteira assinada em confecções da região’’, conta Ripol, acrescentando que o espírito empreendedor dos moradores das vilas rurais foi despertado através de cursos do Sebrae.

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