O pessimista reclama do vento. O otimista acha que o vento vai virar. O realista ajusta as velas. Esse pensamento bem que poderia ilustrar a atual realidade do agronegócio nacional: sem política agrícola que o contemple, o produtor reclama dos baixos preços das commodities e da desvalorização do dólar frente ao real, que mantém alto o valor dos insumos. Pessimista, ele se cansou de ser esquecido pelo governo e resolveu protestar fechando estradas.
O otimista, influenciado pelos bons ventos da valorização do biodiesel, tem apostado no plantio da cana-de-açúcar. Cada vez mais as áreas de pastagem e soja têm sido substituídas por canaviais. A construção de novas usinas também é algo espantoso. Dezenas em todo o País, que confirmam um possível retorno do ciclo da cana mais uma vez uma monocultura à história brasileira.
Já os realistas, apesar da crise, têm buscado alternativas para garantir a permanência no campo, como participar de um curso de administração rural, a exemplo do que foi oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) esta semana, em Ibiporã. Em busca de capacitação, eles esperam descobrir novas ferramentas de gerenciamento da propriedade para minimizar custos de produção e maximizar os lucros da atividade agropecuária.
Os pilares do treinamento, enumera o técnico rural Vidal Ferreira de Campos, instrutor do curso Trabalhador Rural na Administração de Empresas Agrosilvipastoris, são planejamento, organização, direção e controle. Bacharel em administração rural e especialista em engenharia de produção, Campos treina cerca de 20 produtores em cada curso, que têm duração de 40 horas. ''O único pré-requisito para participar do treinamento é ter o segundo grau completo e, de alguma maneira, estar ligado ao meio rural'', informa o instrutor, ressaltando que as turmas são formadas por micros e até grandes produtores. ''Administrar todos sabem, por isso o curso nada mais é do que uma troca de experiências, a interação entre diferentes produtores e culturas'', diz.

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