Adição poderia ser feita nas panificadoras
O presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitarias no Norte do Paraná (Sindipanp), Itamar Carlos Ferreira, não acredita que a adição da mandioca irá interferir na qualidade ou no gosto do pão, mas questiona o verdadeiro propósito da medida. ''O benefício será para a população ou para os mandioqueiros?'', pergunta.
Para ele, a lei quer sim alavancar o preço da fécula e aumentar as vendas do setor, prejudicando o consumidor final, que deverá pagar mais pelo pãozinho. ''Sou contra a adição, acho que é um interesse de poucos. Por que mexer no que está dando certo?''
Para acabar com a polêmica, Ferreira sugere que a adição da fécula de mandioca seja feita nas panificadoras, experiência já realizada em anos anteriores. A idéia também é defendida pela pesquisadora Martha de Miranda, da Embrapa Trigo. Ela não é contra a adição, mas acredita que deveria ser opcional. ''É mais uma questão eleitoreira do que de qualidade'', afirma.
Segundo ela, a fécula de mandioca não deve alterar em nada a composição das farinhas feitas a partir de trigos mais fortes, ''normalmente importados pelos estados do Nordeste do Canadá e dos Estados Unidos.''
Já para as farinhas produzidas no Sul do País, com trigo de qualidade média a fraca, a adição do amido de mandioca torna-se inviável. ''Nesse caso, seria preciso importar glúten para facilitar o processo industrial, o que encareceria ainda mais o produto final'', explica Martha.
De acordo com a pesquisadora, o País já possui variedades que atendem as três categorias de teor de glúten exigidas pela indústria (brando, pão e melhorado), com qualidade que supera o trigo argentino. ''Falta informação aos produtores e às cooperativas sobre a segregação das variedades, que chegam misturadas aos moinhos.'' Para Martha também não há quantidade suficiente de mandioca para atender a demanda dos moinhos. ''Além disso, falta controle microbiológico nas fecularias, que ainda precisam investir muito em tecnologia.'' (M.G.)





