Cláudia Barberato
De Londrina
A segunda fase de sorologias nos rebanhos de bovinos e bubalinos de todo o Circuito Pecuário Centro-Oeste, incluído aí o Paraná, será feita neste mês. A sorologia serve para indicar ausência ou não do vírus da febre aftosa. O Circuito já realizou uma primeira fase de sorologias e parte agora para o reexame.
Para evitar a interferência na campanha de sorologia, o Ministério da Agricultura adiou a segunda etapa da vacinação contra aftosa, que seria realizada de 1º a 20 de novembro, para o período de 1º a 20 de dezembro. A primeira etapa de vacinação foi realizada em maio deste ano. A imunização atingiu 9 milhões de cabeças. Quem não comprovou a vacinação dos animais na visita de técnicos da Secretaria de Agricultura, teve que pagar pela vacinação compulsória.
Amostragem menorPara a segunda etapa da sorologia ou o reexame, será feita a coleta de sangue em apenas 1% de todo o rebanho do Circuito Centro-Oeste, que soma cerca de 70 milhões de cabeças de bovinos e bubalinos. Além do Paraná, o Circuito inclui ainda os Estados de São Paulo, parte de Minas Gerais, Sul de Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal.
‘‘A prorrogação vai vigorar apenas para essa etapa de vacinação’’, garante o chefe da Defesa Sanitária Animal (DSA), da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná (Seab), Felisberto Baptista. Segundo ele, a etapa de vacinação foi adotada para evitar a interferência na campanha de sorologia, que está sendo realizada nesses Estados. ‘‘É importante que o criador vacine depois, no período determinado’’, avisa Baptista.
Falsos positivos‘‘O risco de deixar os animais sem vacina e adiar a campanha é calculado’’, afirma Baptista. Ele explica que a prorrogação era inevitável, para evitar a incidência de resultados ‘‘falsos positivos’’. Se a campanha fosse mantida em novembro, as novas coletas de material que estão sendo realizadas, poderiam sofrer a interferência da vacina, comprometendo os resultados finais.
No Paraná, na primeira amostragem da sorologia, foram sorteadas 1.010 propriedades e coletado o sangue de 6.861 bovinos e bubalinos. Na segunda fase, segundo Baptista, deverá ser reexaminado apenas 1% desses animais. O mesmo deverá acontecer nos outros Estados do Circuito. ‘‘Por enquanto os resultados estão dentro do esperado’’, afirma Baptista. Na fase de nova coleta os exames são feitos para aprofundar os exames das amostras que deram positivo. Segundo Baptista, esse tipo de resultado é considerado normal tecnicamente e exige investigação mais específica no laboratório.
As amostras recolhidas são enviadas para um laboratório credenciado pelo Ministério da Agricultura. À medida que as análises apresentem resultados negativos, a Secretaria da Agricultura, estará liberando as propriedades para comercialização dos animais.
Após a conclusão dos exames de sorologia nos Estados, prevista para dezembro, o Ministério da Agricultura enviará o resultado das análises para apreciação da Organização Internacional de Epizootias (OIE), cujos membros se reunirão no mês de janeiro, em Paris.
Risco calculadoA faixa etária de maior risco de não vacinar inclui os animais mais jovens, abaixo de um ano de idade, que ainda não receberam imunização suficiente. Para os animais adultos considera-se que o risco seja menor. ‘‘Espera-se que tenham boa imunidade pela vacinação semestral. Mesmo assim, o risco ficará reduzido pelo fechamento de trânsito de animais no Estados do Circuito’’, explica Baptista.
Animais que serão vendidos em feiras e exposições agropecuárias deverão ser vacinados antecipadamente. Para isso o criador terá que procurar a Seab, vacinar os animais e marcá-los. Há exceção para animais que vêm diretamente para o abate, em frigoríficos com inspeção federal, e que tenham entrada autorizada, além de período de quarentena na sua origem. ‘‘As medidas servem para evitar interferências no resultado final dos exames de sorologia’’, reforma o chefe da DSA.
Mercado promissorO Paraná está sem foco da doença desde abril de 1995. Mato Grosso do Sul está fora do Circuito Centro-Oeste por conta de um caso da doença em janeiro deste ano. Os outros Estados do Circuito estão todos há mais de dois anos sem ocorrência.
Com o reconhecimento pela Organização Internacional de Epizootias (OIE), os Estados do Circuito Centro-Oeste terão ampliado o mercado exportador de carne. Segundo Baptista, há potencial para oferecer aos mercados compradores cerca de 200 mil toneladas de carne/ano – 800% a mais do que é exportado hoje. Outra vantagem é que ao vender para outros mercados, a carne brasileira terá uma valorização de 33% a mais na tonelada.
Ao contrário do que já aconteceu com Rio Grande do Sul e Santa Catarina, Estados considerados áreas livres, e que não tiveram grande ampliação de mercado, devido à falta de estrutura da indústria e da regularidade na oferta, a indústria de todo o Circuito Centro-Oeste e outros setores da cadeia produtiva tem se movimentado para atender com regularidade um mercado exigente em cortes especiais e qualidade da carne.
No Paraná, por exemplo, os frigoríficos que têm o Serviço de Inspeção Federal (SIF), do Ministério da Agricultura, estão conscientes de que é preciso ampliar as estruturas, modernizar e conseguir o credenciamento para exportação, mesmo antes do reconhecimento da OIE. Os Estados Unidos, por exemplo, têm uma demanda de 200 mil toneladas/ano para os cortes especiais, mas só comprarão a carne brasileira se houver regularidade no abastecimento.
O rebanho do Circuito Centro-Oeste hoje soma 90 milhões de cabeças, das quais 70 milhões estarão dentro da área livre de aftosa. ‘‘É rebanho suficiente para anteder os mercados compradores, desde que se atenda às exigências. O Paraná, por exemplo, tem capacidade para vender 200 mil toneladas de animais inteiros por ano. Indústrias e frigoríficos terão que se adequar para atender a estes mercados’’, avisa Baptista.

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