Adeus aos mitos
A ABCS constituiu um Comitê Médico, composto de quatro profissionais - um cardiologista, um nutrólogo, um endocrinologista e um gastroenterologista - para orientar as ações destinadas a desfazer os preconceitos de natureza médica e nutricional que pairam sobre o consumo da carne suína. O gastroenterologista Arnaldo Gank, também chefe de Departamento de Endoscopia do Hospital Israelita Alberto Einstein (SP), explica alguns mitos:
- A carne suína é gordurosa?
O processo moderno de criação privilegia carcaças musculosas e de pouca gordura. Uma picanha bovina tem mais gordura que uma picanha suína. Na primeira, a gordura é entremeada, enquanto na segunda, a capa é externa, e portanto, retirável, se existir.
- Pode ser considerada pesada?
Há uma confusão entre saciedade e digestão. Muitas vezes sentimos o estômago pesado devido a ingestão de alimentos que provocam a sensação de saciedade, como gorduras e proteínas. Já o álcool e a glicose são absorvidos quase que imediatamente. As verduras são os alimentos que não demoram para serem digeridos porque são compostos por celulose, substância de difícil quebra porque não temos a enzima certa para isso, a celulase.
- Idosos devem consumir carne suína?
Sim. Receito aos pacientes o uso da carne suína, assim como qualquer outra proteína animal. O lombo suíno tem 2% de gordura saturada contra 4% do filé mignon.
- A cistercicose é uma doença transmitida por suínos?
De modo algum! A doença é repassada pelas fezes humanas. Criou-se este mito porque antigamente os animais eram criados ao redor da casa, sem trato algum e com contato direto com o esgoto. No entanto, a doença se dá na contamição fecal homem a homem. O porco não tem nada a ver com isso. Nos Estados Unidos cinco rabinos adoeceram e os judeus não comem porco. A transmissão hoje acontece por meio de verduras e saladas. Quando estes alimentos são regados com água não tratada, e o consumidor não faz a esterilização correta, com comer pode ficar doente. Há 5 vezes mais propagação de cisticercos em currais bovinos que em granjas. A fiscalização é muito rígida. No máximo, o homem adquire a teníase, um tipo de parasita, que se aloja no intestino e mão mata. Nas granjas modernas os animais são alimentados com ração à base se soja e milho e com água potável.





