Os biodigestores são equipamentos de tratamento de resíduos orgânicos (biomassa). São sistemas cobertos, nos quais a biomassa é decomposta por meio da anaerobiose (degradação por microorganismos na ausência de oxigênio) e transformada em gás. ''Como são cobertos, os biodigestores fazem o sequestro do metano que seria lançado na atmosfera e o converte em dióxido de carbono, que é 21 vezes menos poluente que o metano'', explica Aírton Kunz, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves.
Todo o volume de gás apreendido, e que deixa de ser lançado na atmosfera, é quantificado e gera CREs. O que sobra dessa biomassa, segundo Kunz, são basicamente resíduos líquidos, que podem ser usados como biofertilizantes.
Há cerca de 30 anos houve um grande interesse pelo biodigestor e um esforço do governo em disseminar a tecnologia. No entanto, a maioria dos produtores abandonou a idéia e hoje poucos estão em funcionamento. Alexandre Takamatsu, do Tecpar, cita uma série de razões pelas quais o projeto não foi adiante.
A primeira delas foi a falta de informações sobre a construção e a operacionalização do equipamento, e a instalação de modelos de baixa eficiência e mais suscetíveis a problemas.
''Houve incentivo da obtenção de energia barata pelo biodigestor. Mas na época a energia elétrica na zona rural tinha grandes subsídios'', diz o técnico. Além disso, há uma redução considerável na produção de energia durante o inverno, período que o produtor mais precisa dela. Um outro problema inviabilizou o biodigestor foi o surgimento do ácido sulfídrico, que fazia com que o biogás tivesse mal cheiro e fosse corrosivo. (R.C.)

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