O baixo preço do café no mercado e os prejuízos causados pela geada do ano passado configuram uma conjuntura desanimadora para os produtores que, descapitalizados, precisam buscar alternativas para enfrentar a crise. O momento é propício para começar a pensar no manejo adequado das lavouras prejudicadas, buscando otimizar os recursos para voltar a produzir e garantir a permanência na atividade.
A análise é do engenheiro agrônomo Francisco Barbosa Lima, coordenador regional do Departamento do Café do Ministério da Agricultura e Abastecimento na região de Londrina. ‘‘Quem desanimar vai ficar no meio do caminho’’, comentou, enfatizando que a crise só deve ser superada a partir de 2003, se não acontecerem alterações climáticas ou políticas relevantes.
InvestimentosO importante é investir na lavoura para garantir uma safra produtiva no ano que vem. ‘‘É fundamental ter um café de alta produtividade, pois a perspectiva é de preços baixos para os próximos anos’’, observou Barbosa.
Segundo ele, a saca de 60 quilos do café está sendo comercializada a um preço médio de R$ 115, quando o valor mínimo para remunerar o produtor está estimado em R$ 150. Este ano, a previsão é que a colheita do Paraná não ultrapasse 500 mil sacas, um volume muito abaixo da média de 2,8 milhões de unidades colhidas anualmente. ‘‘Cerca de R$ 300 milhões deixarão de circular nos municípios cafeeiros’’, acrescentou.
SoluçõesO primeiro passo para a recuperação é procurar auxílio profissional e orientação sobre as formas mais econômicas de manejo. ‘‘Como a lavoura vai produzir pouco, o cafeicultor pode reduzir a quantidade de adubo utilizado’’, ensinou o engenheiro agrônomo, destacando que a utilização de um produto simples é suficiente, pois as plantas estão menores e não precisam de muitos nutrientes.
Os investimentos em insumos para controle da ferrugem também podem ser diminuídos. ‘‘A pressão da doença será menor, porque as plantas foram podadas e apresentam carga e enfolhamento reduzidos. Além disso, o ataque se iniciará mais tarde, possibilitando economia no número de aplicações’’. Outra dica é otimizar a mão-de-obra, optando pela roçada ao invés da capinagem.
Replantio Barbosa orienta iniciar o replantio de forma parcelada, ocupando as falhas antes de aumentar o espaço total da lavoura. ‘‘Desta forma o produtor consegue evitar maiores despesas, concentrando seus esforços em áreas que já estão sendo tratadas’’, disse. Se existir intenção de ampliar a lavoura, ele recomenda o plantio do café adensado como alternativa para aumentar a produtividade. Para evitar erros difíceis de serem corrigidos após o desenvolvimento dos pés, é recomendável se informar sobre as variedades e o espaçamento mais adequados para a região.
O abandono da lavoura só é indicado em áreas que apresentam histórico de baixa produtividade e recuperação difícil. ‘‘Nesses casos, o produtor deve pensar em abandonar e plantar outra cultura, pois não conseguirá ser competitivo’’, analisou.
A insistência na manutenção dos cafezais prejudicados se justifica pelos investimentos anteriores à geada. O engenheiro agrônomo observou que uma lavoura de três anos ocupada por café adensado recebe uma média de R$ 6 mil por alqueire. ‘‘É quase o valor da terra, não dá para perder esse investimento’’. Para ele, a única maneira de sobreviver na atual conjuntura é organizar o gerenciamento da propriedade, adotando postura de empresa na administração.
MobilizaçãoBarbosa afirmou que a permanência dos produtores na cafeicultura também depende do apoio do poder público. ‘‘Os agricultores precisam se mobilizar e cobrar incentivos’’, comentou. Ele argumentou que os prefeitos precisam se sensibilizar com a situação, pois a queda na produtividade vai refletir em desemprego de trabalhadores volantes, afetando a economia dos municípios cafeeiros.
Produzir mudas e viabilizar equipamentos são algumas das formas de incentivo possíveis. ‘‘Mas o produtor não pode apenas ficar esperando ajuda. É preciso mobilização, pois democracia se faz através da pressão sobre as lideranças políticas’’.

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