O diretor presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Inácio Kroetz, afirma que interesses específicos de bovinocultores não podem se sobrepor aos de todo o Estado. "É mais econômico para eles criar bezerros em outros estados, mas temos de observar que toda a cadeia, principalmente os suinocultores, podem se beneficiar com o fim da vacinação contra aftosa", explica o executivo da entidade criada para cuidar da vigilância sanitária. "Não cabe a eles se preocuparem com os custos que o governo pode ter com uma política que pode gerar divisas, mais investimentos em produção, mais empregos e mais renda interna", diz.
Para o assessor técnico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) Antônio Poloni, é preciso entender que nunca houve interesse em manter a vacinação de forma definitiva, mas como solução enquanto houvesse risco de doença. "O propósito do industrial e do produtor é ter um estado livre sem vacinação, e não o contrário, que é um retrocesso."
Poloni esteve na reunião da 43ª Comissão Sul-Americana para a Luta contra a Febre Aftosa (Cosalfa), em Punta del Este, Uruguai, no início do mês, e afirma que a entidade busca interromper a vacinação em todos países do continente até 2020. "O País precisa avançar por etapas e por competência, e quem vai concluindo as etapas precisa avançar."

SUGESTÃO
O presidente da Companhia de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), Enori Barbieri, afirma que, para o estado vizinho, seria melhor que Paraná e Rio Grande do Sul continuassem a vacinar seus rebanhos, porque funcionam como protetores do circuito catarinense. Ainda, lembra que, uma vez que conseguirem o mesmo status de livre sem vacina, todos brigarão pelos mesmos mercados.
Apesar de ser técnico, Barbieri, que também foi à Cosalfa, diz que a decisão não pode ser exclusivamente técnica. "Tem de ser avaliado entre produtores rurais, entre governo e entre iniciativa privada, para ver a viabilidade comercial, porque, para os técnicos, é óbvio que é melhor tirar a vacinação, que é o mais correto", diz. Ele alerta ainda que o País tem áreas endêmicas da doença, como a Amazônia. "Se for transmitido para áreas livres sem vacina, é o mesmo que jogar gasolina no fogo." (F.G.)

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