Acompanhamento começa com o solo
De nada adianta ter uma variedade altamente produtiva se o terreno não estiver em boas condições de uso. Pensando nisso, o Iapar começou já na década de 1970 os primeiros estudos referentes ao tema. Ademir Calegari, pesquisador da área de solos, explica que o primeiro desafio da entidade foi com relação à erosão, problema que estava prejudicando as lavouras em todo o Estado. Nessa época era vivido um período de transição, na qual a cultura perene do café estava sendo gradualmente substituída pelo cultivo de soja, milho e trigo.
O resultado desse processo, avalia Calegari, não poderia ser outro: falta de adequação do sistema produtivo. Para solucionar esse problema, o Iapar começou a estudar a implantação do sistema de plantio direto. ''Em 1981 lançamos a primeira publicação sobre o sistema que revolucionaria a agricultura paranaense''. Porém, de acordo com a pesquisadora Graziela Moraes Barbosa, também especialista na área de solos, o processo de implantação da tecnologia em campo foi difícil. Segundo ela, alguns produtores que adotaram a prática e que, por uma infeliz coincidência tiveram uma perda de produção, sempre culpavam o sistema.
Calegari afirma que depois da grande geada de 1975, um dos focos dos pesquisadores do Iapar nos anos seguintes foi mostrar ao produtor, por meio das pesquisas científicas, que o sistema era viável ecologica e economicamente. ''Nossos trabalhos focaram a inserção da técnica, principalmente com relação ao uso de maquinários agrícolas nesse tipo de manejo'', explica Calegari. O pesquisador acrescenta que durante muito tempo os técnicos do Iapar visitaram produtores, cooperativas, associações e sindicatos para divulgar o plantio direto.
Segundo Calegari, hoje o Paraná possui 5,7 milhões de hectares que aderem à tecnologia, número que representa 80% da área agricultável do Estado. E ressalta que depois do processo de convencimento, o desafio da entidade foi implantar o sistema de rotação de cultura.
Treinamento
A pesquisadora Graziela Barbosa destaca que para facilitar o acesso ao produtor, a instituição investiu em cursos e treinamentos. ''Só no ano passado fizemos oito cursos sobre temas relacionados ao solo''. Neste ano, completa a pesquisadora, serão mais seis cursos. Todos eles, afirma Graziela, estão relacionados ao uso adequado de terraços, diversificação de culturas e manejo integrado.
A especialista acrescenta que o trabalho do Iapar nunca encerra. ''A entidade trabalha sempre na melhoria das técnicas que já são adotadas. Isso porque a agricultura é dinâmica'', sintetiza. Graziela acrescenta que a matemática nessa área nem sempre é exata. Por isso, garante, o estudo constante e localizado são prioridades. Sobre o futuro das pesquisas da entidade em relação ao solo, Graziela afirma que a instituição continuará a trabalhar no aprimoramento do sistema de plantio direto e focará nas pesquisas ligadas aos fatores biológicos do solo. (R.M.)





