A morte do adolescente Valdinei Pereira de Arruda, 15 anos, no último domingo, em Manoel Ribas (146 km ao sul de Apucarana) após cair de uma plantadeira de soja, trouxe à discussão um problema ainda comum: acidentes de trabalho no campo. Segundo estatística da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), em Curitiba, em 2001 no Paraná foram registradas 159 mortes na zona rural e na zona urbana, em decorrência de acidentes de trabalho. A DRT e o INSS não tinham informações específicas sobre a zona rural.
O rapaz desequilibrou-se ao manipular uma alavanca do equipamento e caiu entre as ferragens da máquina. A plantadeira estava sendo puxada por um trator pertencente a Luis Stopasol, que dirigia o veículo.
Dados tanto da DRT quanto da Fetaep demonstram que as causas mais recorrentes de acidente de trabalho no campo são a falta de equipamentos de proteção nouso de máquinas agrícolas e na aplicação de agrotóxicos. Mesmo sem uma estatística atualizada, o presidente da Fetaep, Antônio Lúcio Zarantonello, afirma que estes casos ainda acontecem com muita frequência.
Francisco Carlos Bergami, subchefe do setor de Segurança e Saúde da DRT, afirma que em alguns casos o trabalhador chega a ingerir defensivos agrícolas ao tentar desentupir o aplicador de veneno assoprando.
Outra causa de acidentes de trabalho no campo, considerada comum, segundo Zarantonello, é a desobediência da jornada de trabalho. ''Em pico de safra, tanto na colheita quanto no plantio, é comum o trabalhador trabalhar dia e noite praticamente sem descanso'', afirma.
Nestes casos, segundo o presidente da Fetaep, mesmo com equipamentos de proteção, o trabalhador fica física e mentalmente vulnerável e aumenta o risco de acidentes. Zarantonello explica que a Fetaep atua através de uma comissão de dirigente sindical que, entre várias questões, propõe medidas de segurança no trabalho.
''Estas propostas são negociadas, mas ainda existe muita resistência dos empresários em adotar medidas de prevenção de acidentes'', afirma. Bergami, da DRT, afirma que a norma de regulamentação de trabalho na zona rural está sendo revista.
A norma atual, segundo ele, não prevê diversas situações de risco neste tipo de trabalho, como uso de maquinários com proteção. A nova norma foi proposta pelo Ministério do Trabalho, sindicato patronal e dos trabalhadores e está em fase de consultoria pública. ''As entidades estão avaliando o texto'', afirma Bergami.

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