Um espaço de 700 m2 vai contar uma das mais importantes histórias sobre a evolução da agricultura no Brasil. O Museu do Plantio Direto, que está sendo implantado em Mauá da Serra, vai reunir um acervo completo de maquinários, fotos, implementos e outros objetos utilizados na tecnologia.
O plantio direto foi implantado na década de 1970 no Paraná e transformou a agricultura do Estado. Os pioneiros na difusão dessa tecnologia foram os produtores da região de Mauá da Serra, que apostaram na tecnologia inovadora e hoje colhem os resultados. Ao esforço dos produtores somaram-se os investimentos da Lei de incentivo à Cultura, conhecida como Lei Rouanet.
Uma das mais importantes contribuições é a de Herbert Bartz, de Rolândia, considerado o pai do plantio direto brasileiro - ele foi o primeiro produtor a fazer uso da técnica no País. Bartz pretende doar todo seu acervo pessoal para o museu. ''Tenho a primeira máquina de plantio direto do Brasil, importada dos EUA, além de máquinas de disco para adubo e semente. As empresas de maquinário faziam as inovações testando na minha propriedade'', lembra Bartz.
Para ele, a iniciativa dos produtores de Mauá da Serra é digna de reconhecimento. ''Eles sempre tiveram muita tradição no plantio direto e fico muito feliz em saber que estão realizando esse projeto. Eles têm uma cultura de zelar pela tradição e tenho a certeza de que todo esse acervo vai ser muito bem preservado', afirma.
''É importante que a gente preserve essa história para que os outros também conheçam um pouco das dificuldades e sucessos do plantio direto no Paraná'', diz o presidente da comissão, Sérgio Higashibara, um dos pioneiros na implantação da técnica na região.
''Será um museu dinâmico, que pretende mostrar não só o passado, mas também a evolução do plantio direto no Estado'', completa Higashibara. Segundo Carlos Kamiguchi, que também faz parte da comissão curadora, o museu é uma importante vitrine do plantio direto e deve ser visitado por estudantes, técnicos, órgãos de pesquisa e empresas do agronegócio, além da população em geral.
O museu já conta com um acervo considerável, como três máquinas Rotacaster para milho, trigo e soja, além de uma semeadeira. Mas deve receber ainda equipamentos e implementos de vários produtores que fizeram a história do plantio direto no Paraná.
Precursora do plantio direto no Brasil, a Syngenta será uma parceira do museu. Na década de 1970, a empresa - na época ICI - patrocinou a viagem de Herbert Bartz à Inglaterra e Estados Unidos para conhecer a tecnologia, além de patrocinar a compra de maquinário no exterior. Segundo César Batistella, coordenador de marketing da empresa na região sul, a Syngenta lançou o gramoxone, primeiro produto destinado ao cultivo pelo plantio direto.
De acordo com Batistella, a empresa destinou R$ 50 mil para a instalação do museu e vai doar fotos e vídeos. ''Esse material mostra a grande evolução que a tecnologia trouxe ao Brasil'', sintetiza. ''Eles (a empresa) deram um apoio muito importante e espero que as outras empresas também contribuam para que possamos realizar esse sonho'', diz o produtor Sérgio Higashibara.

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