Aceitação do produto abre mercado
O policultivo pode ser uma boa alternativa se os piscicultores encararem o cultivo do camarão como um complemento da atividade. Segundo o engenheiro de pesca da Emater Luiz Eduardo de Sá Barreto, o Lula, muitos produtores abandonaram o policultivo porque imaginaram que teriam ganhos maiores com o camarão.
''A produtividade do camarão é baixa - cerca de 500 quilos por hectare por safra. Por isso deve ser apenas um coadjuvante da piscicultura'', diz. A tilápia, por sua vez, tem produtividade de 7 mil kg/ha/ano. Segundo ele, a venda dos camarões produzidos nos tanques amortiza os custos de produção da tilápia. ''O camarão não precisa ter destinação comercial. Pode ser, inclusive, opção de alimento para a família'', afirma, citando a atividade como alternativa para a agricultura familiar.
Segundo ele, atualmente não existe oferta de camarão de água doce na região Norte. ''É um mercado potencial'', avalia, acrescentando que toda a produção de Hélio Salomão, por exemplo, é vendida diretamente aos consumidores, ao preço de R$ 12 o quilo.
Apesar da retração dos últimos anos, Lula afirma que a possibilidade de novos investimentos no policultivo neste ano é grande. Segundo ele, 10 produtores da região norte já manifestaram interesse na atividade e estão na fila de espera pelas pós-larvas que serão colocadas nos tanques.
Para os interessados no policultivo, o engenheiro de pesca da Emater ensina algumas lições e destaca a importância de encarar a atividade com os pés no chão. ''Em primeiro lugar o produtor deve se conscientizar de que o camarão é complemento da piscicultura'', afirma.
Embora seja a cultura secundária, o camarão da malásia exige alguns cuidados. Em primeiro lugar, os tanques devem ser preparados especialmente para as pós-larvas, que são colocadas 20 dias antes dos juvenis das tilápias. ''A limpeza é fundamental para evitar que os predadores ataquem as pós-larvas'', ensina Lula. Os principais predadores, segundo o técnico, são a traíra e a odonata (larva da libélula). Outro cuidado é fazer o enchimento dos tanques apenas cinco dias antes da colocação das pós-larvas do camarão.
A espécie de peixe para o policultivo deve ser escolhida de acordo com a região - para o norte do Paraná, a tilápia é a mais indicada. A atividade também deve levar em conta o clima. ''O policultivo deve ser implantado no mês de outubro, pois o camarão não suporta temperaturas abaixo dos 16 graus centígrados'', destaca. Segundo Lula, podem ser colocadas no tanque de 5 a 7 pós-larvas por metro quadrado, e de 1,5 a 2 tilápias por metro quadrado. (R.C.)
Predadores exigem atenção especial
Inimigos naturais podem provocar perdas importantes no cultivo do camarão. O produtor deve ter cuidado redobrado para evitar o ataque dos predadores. O principal deles é a traíra, que pode atacar os camarões apesar de todos os cuidados com a implantação dos tanques. Os ovos e larvas da traíra chegam nas patas das aves, como biguás e garças, que vão se alimentar nos viveiros, ou mesmo quando há falhas no sistema de filtragem da água, diz Lula. A instalação de telas pode evitar o depósito das larvas e ovos.
As cobras também são uma ameaça. De acordo com o técnico da Emater, a cobra dágua ataca até mesmo os juvenis da tilápia. Para evitar o problema, é preciso manter limpos as bordas e taludes dos viveiros. Depois de esgotados os tanques, devem ser limpos e as tocas que abrigam os animais ser tampadas.
Outro pedrador que merece atenção é a lontra, que come inclusive os peixes grandes. Para evitar o ataque o piscicultor deve instalar telas de 30 ou 40 centímetros de altura ao redor dos tanques, que vão impedir o acesso dos animais. A cerca pode ser feita de tela de arame ou bambu. (R.C.)





