‘‘Hoje o maior erro nos acasalamentos dos animais é não saber escolher o reprodutor certo para as matrizes do rebanho.’’ A afirmação é de Valdecir Marin Júnior, zootecnista e jurado da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) e da Associação Brasileira de Criadores de Limousin (ABCL).
Marin participou da 41ª Exposição Agropecuária de Londrina, julgando os bovinos nelore. Ele também está habilitado a julgar bovinos santa gertrudis e marchigiana e tem participado de exposições não só no Brasil, mas também na Bolívia, Costa Rica e Panamá.
É da produção de animais de elite, que são apresentados em pistas de julgamento, que sai o rebanho comercial. O bom acasalamento, seja em rebanhos de elite ou comerciais, depende da raça e do sistema de produção adotado.
Animal equilibrado Os acasalamentos para os rebanhos de elite, segundo Marin, devem ser feitos individualmente, vaca por vaca, diferente do que é feito no rebanho comercial. Para saber o touro certo para a vaca certa, o técnico avisa que o pecuarista deve usar as informações dos sumários de touros, onde é possível encontrar informações sobre animais de genética de ponta. Outra opção é contratar ajuda profissional.
No caso do nelore, segundo Marin, os acasalamentos perfeitos devem resultar num animal onde a profundidade, que é o comprimento das costelas, deve ser igual ao comprimento dos membros anteriores. ‘‘Isso resultará num animal equilibrado.‘‘
Nas raças européias (especialmente as inglesas) essa correlação deve ser a de um animal de membros mais curtos em relação a sua profundidade de costelas. As raças italianas, que são um pouco mais tardias, devem ter membros maiores em relação a profundidade. ‘‘Há 10 anos procurava-se uma animal mais longelíneo, enxuto e alto, hoje pode-se dizer que o animal mais próximo da perfeição é o mediano ou equilibrado,’’ afirma Marin.
Reduzir a recria ‘‘Nas pistas de julgamentos, que são uma referência para escolha de reprodutores e matrizes, estamos premiando animais que tenham uma correlação entre altura e comprimento dos membros, ou seja, braços e pernas dos animais têm que ter profundidade igual ou próxima do comprimento das costelas.’’
O pecuarista que faz uma linha de produção do nascimento ao abate, de acordo com Marin, deve também reduzir ao máximo o tempo de recria. Fazendo isso, estará também reduzindo a idade de abate dos animais e maximizando a unidade animal por hectare. Hoje a média para idade de abate deve ser de 30 meses para animais criados a pasto.
Existem duas formas de reduzir o tempo de recria. A primeira delas é usar genética, selecionando matrizes e, principalmente, touros de alto valor genético para ganho de peso. Se o pecuarista quiser vender bezerros terá que utilizar touros que tenham alto peso na desmama para que depois essa característica seja transmitida a seus filhos.
Além da genética, outra forma de conseguir maior peso na desmama é usar o creep-feeding, um cocho especial para bezerros onde se fornece sal proteinado. Esse sistema, de acordo com Marin, dá um ganho de 15% a 20% no peso de desmama do animal. Ainda há a vantagem de fazer com que a vaca volte mais cedo para a reprodução.
Planejar melhor O pecuarista deve planejar também com que idade irá engordar e abater seus animais; se com 18, 24 ou 30 meses e escolher o que fazer de acordo com a estrutura da propriedade. Não adianta desmamar um bezerro com 200/230 kg e colocar o animal num pasto de péssima qualidade. O animal deve ser colocado numa pastagem melhor do que aquela em que estava no pé da vaca.
Quem pretende abater animais de 18 a 24 meses deverá escolher touros reprodutores ou sêmen de touros que já tenham filhos com bom peso na mesma idade. No caso do nelore, por exemplo, não há mais aquela preocupação em ter animais com mais peso e sim animais que entre 18 ou 24 meses estejam com um peso por volta de mil quilos com bom acabamento de carcaça. ‘‘Acabamento de carcaça não é só musculatura, mas é preciso também gordura, que proporcionará maciez para a carne e servirá de proteção na hora do congelamento’’, afirma o zootecnista.
Segundo Marin, hoje, quando dois pecuaristas se encontram a pergunta não deve ser mais aquela: ‘‘Quantas cabeças de gado você tem?’’. Mas sim: ‘‘Quantos quilos de carne você produz por hectare/ano?’’
Uma propriedade que quer controlar a fertilidade do rebanho tem que fazer também a estação de monta. Primeiro por seis meses e, a cada ano, ir reduzindo de um a dois meses, até chegar a uma estação de 90 dias. Além disso, melhorar as condições de pastagens e do manejo sanitário do rebanho. Não há genética que resista a falta de comida.

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