Ácaro-branco afeta lavouras de soja no Norte do Paraná
Produtor de Rolândia projeta perdas na produção de até 7% após ataque pela praga
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de fevereiro de 2023
Produtor de Rolândia projeta perdas na produção de até 7% após ataque pela praga
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 
A praga ácaro-branco está afetando lavouras de soja no Norte do Paraná desde o início deste ano. Um dos municípios mais prejudicados é Rolândia, na região de Londrina.
O alastramento da praga pode ser explicado pelas condições climáticas que aliam tempo nublado e chuvoso às altas temperaturas, explica o pesquisador da Embrapa Soja, Samuel Roggia.
O ácaro-branco afeta mais frequentemente outras culturas como algodão, tomate e pimentão. Na soja, no entanto, sua disseminação é mais incomum.
Um dos principais efeitos do ácaro-branco é a redução do porte da planta devido ao ataque. Isso se deve ao fato de que a praga ataca os tecidos novos da planta, os tecidos em formação, a brotação inicial. Ele ataca tanto a haste principal da planta como as brotações dos ramos laterais. Como consequência, atrapalha o desenvolvimento normal da planta, inibindo o crescimento.pelo retorcimento das hastes da planta. “Elas ficam retorcidas, sem crescimento adequado. Além disso, outra característica é o encarquilhamento [enrugamento] das folhas novas”, explica Roggia. “É um ácaro muito pequeno, bem menor que os ácaros rajado, vermelho e verde, que podem ocorrer também na cultura da soja. É até difícil vê-lo por meio de uma lupa de bolso, sendo muitas vezes necessário levar a amostra a um laboratório para ser visualizado por uma lupa de bancada.”
DISTINÇÃO
Como não é uma praga muito comum na soja, em muitos casos a praga pode ser confundida com uma virose.
“No caso do ácaro-branco, diferentemente de uma virose, há um padrão de ocorrência atingindo várias plantas próximas. Num ataque mais severo, há possibilidade de queda dos folíolos e podemos observar na haste principal e nas vagens um bronzeamento ou uma tonalidade mais escura”, detalha.
O técnico explica que, como não é um tipo de ocorrência comum na lavoura, existem produtos registrados utilizados em outras culturas ou para controlar outras espécies de ácaro que atingem a soja. “A maioria dos produtos utilizados para combater o ácaro-rajado ou o ácaro-verde, por exemplo, tem bom desempenho para o controle do ácaro-branco.”
PERDAS
Produtor de soja em Rolândia, Aparecido Batista Carducci teve a lavoura afetada pelo ácaro-branco em janeiro. Foi a segunda vez que a praga prejudicou a plantação do agricultor – a primeira ocorrência foi há cinco anos, mas desta vez o estrago foi maior.
O agricultor ainda não colheu a soja, mas já calcula perdas entre 5% e 7% da produção. “As plantas ficaram com porte reduzido e o ponteiro [ramos novos] da soja encarquilhado com enrugamento nas folhas. A haste principal ficou com coloração bronzeada/marrom, comprometendo as vagens da parte superior”, relata.
Para combater a praga, Aparecido relata que usou inicialmente produtos à base do princípio ativo abamectina, mas sem resultados satisfatórios para o controle de ácaro-branco. “A solução foi trazida pela área técnica da cooperativa Cocamar, um produto comercial com o princípio ativo espiromesifeno, trazendo resultados positivos.”
Toda a produção do agricultor é comercializada atualmente para a Cocamar. “De fato, a perda real de produtividade iremos ver somente depois da colheita. É uma praga que tivemos dificuldade de reconhecimento, necessitando de análise laboratorial para identificação. Fui o primeiro agricultor de Rolândia a presenciar a praga na região”, conclui.


