Abril, o mês vermelho
Em entrevista recente para a Agência Estado, João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do Movimento dos Sem-Terra (MST), confirmou que estavam sendo programadas ações em todo o País para lembrar o massacre ocorrido em Eldorado de Carajás, no dia 17 de abril de 1996. Exatos oito anos atrás, policiais militares atiraram contra um grupo de sem-terra. Dezenove deles morreram e outros 69 foram feridos. ''As manifestações devem variar de passeatas pelas cidades a ocupações'', anunciou.
Na mesma época, pouco antes do mês começar, um dos principais líderes do MST, João Pedro Stédile avisou que abril seria vermelho e que os sem-terra iriam ''infernizar''. A afirmação bombástica só fez aumentar o burburinho em torno das invasões de terras no Brasil. ''Mas ainda é cedo para que isso se reflita no preço da terra'', explica o consultor Samir Cury Eide. E medo dos proprietários rurais? ''Só mesmo se o Governo não tomar providências'', completa.
''Isso não significa que eu seja contra, na verdade sou totalmente favorável à reforma agrária'', diz. A solução, segundo Cury, é resgatar um capítulo esquecido do Manual de Crédito Rural (MCR). ''O capítulo 16 tratava do crédito fundiário e falava do acesso à terra para quem tivesse interesse já que ele (crédito fundiário) dava um prazo de até 20 anos para se pagar pela terra'', lembra o consultar. ''O que eu acho muito estranho é que esse capítulo tenha sumido do MCR no início da década 80'', explica Cury.





