Abre-se o mercado de tecnologia
Vânia Casado
De Curitiba
Na expectativa de comercializar R$300 mil com a venda de animais em leilões, começa hoje a Feira do Paraná. São mais de 2.000 animais em exposição, sendo 1.100 bovinos de todas as raças, 770 equinos, 200 ovinos, 120 caprinos e mais suínos, aves e pequenos animais. A previsão do presidente da Federação das Associações de Criadores, Ugo Rodacki, é que a comercialização na parte pecuária atinja R$800 mil com as vendas posteriores à Feira e aos negócios fechados nos galpões.
Mas, o grande atrativo da Feira do Paraná, este ano, é a oferta de negócios nos setores indústrial, de serviços e tecnológicos. Estão previstas muitas novidades em tecnologias de produção que serão exibidas durante a exposição. Ela será realizada entre os dias 9 e 17 de outubro, no Parque Castelo Branco, no município de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. O pavilhão internacional será representado com a presença de 10 países, entre eles Alemanha, Itália, França, Espanha, Argentina Uruguai e Chile. A expectativa dos organizadores é que o pavilhão seja responsável por boa parte dos negócios.
MercadosA Emater e a Federação das Associações de Criadores (Fepac) optaram, este ano, pela terceirização da realização de shows e da parte comercial (bilheteria, estacionamento, locação de espaços) da Feira do Paraná, para se dedicarem exclusivamente aos preparativos da parte técnica e da realização de eventos técnicos. Com isso, a coordenação quer assegurar que a Feira do Paraná seja um local conhecido pela oferta de boas oportunidades e negócios para o criador, para o industrial e para o produtor.
Na comercialização pecuária, Rodacki ressalta que o momento é ideal para investimentos em genética animal. Ele justifica que o Paraná está a um passo de ser considerado internacionalmente área livre de febre aftosa. Essa condição deverá abrir mercados importantes de exportação de carne in natura para a Europa, Japão e Estados Unidos, que valorizam a produção. Com isso, os produtos deverão ter mais qualidade e atender os padrões internacionais de comercialização.
Rodacki admite que os juros altos inibem os investimentos e que, na maior parte das vezes, o criador precisa financiar o comprador, parcelando a venda de animais em leilões. Mas, na ausência de linhas de crédito específicas, não resta outra alternativa, diz. Ele acredita que muitos criadores estão atentos para a importância de investir na modernização e melhoramento genético do rebanho, para oferecer um produto de qualidade no mercado externo e interno.
Seminários e eventos técnicosUm dos destaques da Feira do Paraná é a programação de eventos técnicos que levarão ao Parque Castelo Branco especialistas nacionais e internacionais. Entre os eventos estará o Seminário Internacional sobre Produtos Transgênicos, que reunirá num mesmo fórum especialistas dos Estados Unidos e de países da Europa, que encaram de maneira diferente o consumo dos produtos transgênicos.
A olericultura e a fruticultura praticada no Paraná; a expansão da agricultura orgânica no mercado; a produção e industrialização da batata, serão outros temas discutidos em seminários especiais. O aumento do número de eventos e seminários internacionais deve-se à demanda gerada para um público de agricultores e criadores que já deram saltos importantes de produção e qualidade. Por isso, necessitam de discussões de alto nível técnico, justificou o coordenador técnico do evento, José Geraldo.
Será montado um pavilhão especial para a cadeia produtiva da batata e outro para a cadeia de flores. O produtor poderá conhecer todas as fases da produção de batatas, desde o produtor de sementes até a oferta de produtos industrializados no varejo. O pavilhão da batata foi montado em parceria com a Associação dos Bataticultores do Paraná (Abapar), que pretende reunir os produtores de batata, para discutir a modernização da comercialização de batatas frescas e as perspectivas de mercado para os produtos industrializados.
A produção de flores está ganhando destaque no Paraná, com a iniciativa da Cooperativa Agropecuária de Entre Rios, que está incentivando o plantio comercial no Estado para conquistar um nicho de mercado que cresce a cada dia. No pavilhão será apresentada a produção de sementes, estufas, irrigação e espécies de flores que são cultivadas atualmente na região metropolitana de Curitiba.
O seminário de olericultura vai tratar basicamente da necessidade de agregação de valor aos produtos, que pode render até 200% a mais na comercialização. A produção vem aumentando no Paraná em torno dos grandes centros urbanos e a forma de elevar a renda do produtor é através do processamento. Durante o seminário, o produtor será orientado sobre os investimentos necessários em embalagens, adequação do local e compra de equipamentos.
A Fábrica do Agricultor será outro tema de um pavilhão inteiro. Cerca de 14 pequenos produtores montarão estandes onde comercializarão os produtos processados por eles, como geléias, biscoitos, pães, cortes especiais de carne bovina, carne de coelho, derivados de cana, cogumelo, artesanato, plantas medicinais, palmito, escargô, hortaliças embaladas e embutidos. O objetivo é divulgar o programa, para mostrar as formas de agregar valor à produção. A Fábrica do Agricultor pretende criar as condições para que os produtos transformados possam ganhar mercado com mais facilidade, sem ficarem restritos a uma determinada região por dificuldades burocráticas para legalização de documentos.





