Abrasem prevê escassez de sementes de soja
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sexta-feira, 22 de junho de 2001
Vânia Casado De Curitiba 
A Associação Brasileira de Sementes - Abrasem - surpreendeu o mercado essa semana, com a informação de que a disponibilidade de sementes de soja para a próxima safra é a menor dos últimos 15 anos. Em função disso, produtores de sementes suspenderam a venda do insumo para avaliar melhor a oferta e a demanda do mercado. A Abrasem já anuncia uma escassez de sementes da ordem de 76 mil toneladas em todo o País.
Produtores, entidades estaduais do segmento e a Associação Brasileira de Sementes - Abrasem, estão avaliando o problema para buscar alternativas de preço e produção, com o menor comprometimento para a safra 2001/2002, informou o diretor da área de sementes da Abrasem e presidente da Associação Paranaense de Sementes - Apasem, Ywao Miyamoto.
Demanda maior Miyamoto afirma que a comunidade de produtores de sementes de todo País está aguardando definições sobre a demanda. Ele acredita que em função da disparada do dólar, os produtores tendem a migrar das culturas de milho e algodão para se protegerem com a cultura da soja que tem liquidez no mercado externo (a cultura é um hedge natural em tempos de indefinição da economia). Diante desse quadro, a área plantada deve ser superior à do ano passado, acredita Miyamoto.
Segundo ele, os preços das sementes já vêm oscilando desde o mês de maio, quando iniciou a escalada altista do dólar. Nos meses de abril e maio, as sementes foram vendidas entre R$ 25,00 a R$ 35,00 a saca de 50 quilos. Só depois de uma avaliação detalhada do mercado, a comercialização dessas sementes deverá ser plenamente retomada, avisou.
Miyamoto não arriscou falar sobre os preços que vão ser praticados a partir de agosto. Mas insinuou que a semente vendida há dois meses atrás estava abaixo do custo e o setor vai reavaliar, levando em consideração a expectativa da evolução do dólar e do desempenho das sementes em relação às produtividades que vêm sendo obtidas.
Miyamoto argumenta que faltarão, principalmente, sementes certificadas e aprovadas, que apresentam maior tecnologia genética e que obtêm melhor produtividade por planta, maior resistência a doenças e adaptabilidade aos diferentes climas. Essas sementes são as que oferecem melhor vigor e menor quebra de germinação, acrescentou.
Conforme levantamento apresentado pela Abrasem, esse ano a produção de sementes de soja deve atingir 628.011 toneladas, que corresponde a uma queda de 9,2% sobre a produção do ano passado que foi de 698,6 mil toneladas. Enquanto a produção cai, o consumo aumenta. A previsão é que sejam consumidas 704 mil toneladas de sementes na safra desse ano, enquanto na safra passada foram consumidas 650 mil toneladas de sementes.
Segundo Miyamoto, a queda na produção foi provocada por chuvas na colheita que prejudicou o poder de germinação das sementes. Ao prever a falta de sementes, Miyamoto considera as perdas no processo de beneficiamento podem variar de 5% a 45%, o que reduz ainda mais a oferta de sementes de qualidade. Outro fator determinante para a falta do produto é a quebra de germinação que normalmente é de 5% e que na última safra foi de até 10%, sem razão aparente.
A Abrasem, por sua vez, afirma que está havendo problemas de germinação com a semente produzida em algumas áreas do país. Na última colheita, após a semente passar pelos rigorosos processos de beneficiamento e análises de germinação, a disponibilidade do produto mostrou-se inferior às expectativas. Com tudo isso, enquanto não houver segurança para o produtor, os preços de sementes de soja e suas variedades não deverão ser estabelecidos. E o reaquecimento da comercialização da semente deverá ser retomado apenas em meados de agosto, cerca de três meses antes do plantio, avisa o diretor da Abrasem.
A retração no comércio de sementes, segundo Miyamoto, deverá permanecer até que seja estabelecida a disponibilidade de estoques em todas as regiões produtoras, inclusive com divulgação das variedades em escassez (o que deverá ser feito por associações da classe e fundações). Também dependerá da atualização de preço da matéria-prima, considerando-se as oscilações do mercado e do dólar; e do acompanhamento atento das áreas de plantio de soja em substituição à de milho, o que agravará ainda mais a falta de sementes certificadas.


