Abimilho pede apoio para a biotecnologia
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sábado, 06 de dezembro de 2003
Reportagem Local 
O presidente da Associaçao Brasileira das Indústrias Moageiras de Milho (Abimilho), Nelson Kowalski, reiterou ao ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, a necessidade de o governo apoiar as pesquisas em biotecnologia. A cobrança foi feita na semana passada, em Rolândia. A entidade já havia formulado o pedido, que expressa opinião dos produtores e comunidade científica. O apoio foi uma posição tirada do 2º Simpósio Nacional Abimilho, realizado em São Paulo, no início de novembro.
Esses setores entendem que a forma como o projeto de lei que regulamenta o uso da biotecnologia está sendo redigida, deixa claro que a legislação vai restringir demais as atividades do pesquisador.
Segundo os críticos do projeto, o pesquisador fica amarrado e a pesquisa demora para ser iniciada. Comparando com a pesquisa em humanos, as exigências hoje com relação à biotecnologia são muito mais complexas do que uma pesquisa em medicamento, por exemplo.
O Brasil não pode cometer em biotecnologia o mesmo erro que cometeu, em 1980, com a lei de informática, alertou o presidente da Abimilho. O País ficou 10 anos sem contar com a entrada de conhecimentos externos por causa da reserva de mercado. Acabou acontecendo que, por conta do contrabando, nosso país não parou. Não pode acontecer o mesmo na área da biotecnologia.
Ao ser entrevistado pela Folha se o Ibama impõe restrições aos projetos de pesquisas, o presidente da Abimilho afirmou que pesquisadores reclamam que para início de qualquer pesquisa em milho, o mínimo necessário seria R$ 700 mil a R$ 1 milhão. ''É difícil para Embrapa ou Iapar abrir pesquisa nessa área'', disse.
Técnicos de prestígio nacional têm feito críticas ao Ibama, mas as maiores acusações partiram de Francisco Graziano, professor da Esalq, ex-secretário da Agricultura de São Paulo e ex-presidente do Incra. Ele falou no Simpósio da Abimilho, para centenas de empresários e técnicos do setor. E escreveu sobre o assunto para os grandes jornais, mês passado.
Segundo Graziano, a política e questão ideológica estão atrapalhando a ciência. ''O Ibama não tem competência técnica para dizer se os agrônomos da Embrapa podem ou não pesquisar. Isso significa uma total inversão de valores. Ao contrário de serem coibidos, exigindo-se deles licenças absurdas, esses cientistas deveriam receber um salvo-conduto, para investir na genética moderna. Bota dinheiro neles para empurrar o desenvolvimento e não segurar o conhecimento''.


