ABIC denuncia fraude no café torrado
Apesar de vir há nove anos desenvolvendo um trabalho de controle de pureza, a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) ainda encontra fraudes que empresas associadas e (principalmnte) não-associadas praticam na torrefação e moagem do produto.
Na adulteração indústrias utilizam, em proporções que chegam a 90%, cascas e paus, milho, centeio, caramelo, cevada e açúcar cristal. As análises são feitas pelo Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, que fornece os laudos à ABIC.
ReincidênciaPara justificar a necessidade de maior fiscalização por parte dos órgãos de defesa do consumidor, o diretor de Qualidade da ABIC, Talmo Pimenta, dá o exemplo das marcas Café Catuí, de Minas Gerais, que em 1966 revelou, na análise feita pelo Adolfo Lutz, mistura de 80% de milho; em 1997, apresentou 60% de milho, e neste ano aparece com 50% de centeio.
Outro exemplo apontado por ele é a marca Café Rosana, de Pernambuco: em 1996, tinha 80% de milho; em 97, 90% de milho; neste ano, 85% de milho. Também é de Pernambuco a marca que neste ano revela o maior índice de adulteração: 90% de centeio, contra somente 10% de café, no produto Santa Cruz, de Limoeiro. Rosana é de Belém de São Francisco. O mineiro Catuí é fabricado em Ibitiura de Minas.
Mãos atadasO diretor de Qualidade da ABIC explica que a associação não tem poder de polícia, não pode fechar nenhuma empresa ou impedir que continue produzindo café adulterado ou impuro. Ela pode agir apenas sobre suas associadas, mas essa ação é de caráter administrativo.
Se o café de uma indústria tem mistura, ela é imediatamente excluída da associação e perde direito ao uso do Selo de Pureza ABIC. No caso de café com impurezas (que denunciam a baixa qualidade do café verde adquirido para industrialização), a empresa sofre penalidades que vão da suspensão do direito de usar o selo à exclusão do quadro associativo. E quando a empresa perde o direito de estampar o Selo, perde-o para todas as marcas que produz ou comercializa.





