ProblemaLeila Gonzalez quer afastar as abelhas de suas jabuticabeiras, fruta de sua preferênciaA natureza está sempre ensinando lições, que muitas vezes leva-se tempo para aprender. Um dos princípios básicos é a lei da sobrevivência, que norteia os comportamentos de qualquer ser vivo. Em busca de alimento insetos, aves, e outros animais chegam a mudar seus hábitos e habitat.
Em uma pequena chácara nos arredores de Londrina as abelhas silvestres que normalmente procuram mais as flores em busca do pólen, estão atacando os frutos das jabuticabeiras. Algumas árvores que produzem o ano todo são as preferidas pelas abelhas. Elas perfuram os frutos, sugando toda a polpa.
A dona de casa Leila do Carmo Cardoso Gonzalez, que cuida do pomar, com seis jabuticabeiras além de outras frutas, diz que elas produzem bem, mas desde abril, quando se mudou para a chácara não conseguiu colher quase nenhum fruto. ‘‘Quando estava escolhendo a chácara, uma das minhas exigências era ter jabuticabeiras, porque sou apaixonada por estas frutas, e agora a concorrência das abelhas não permite nenhum aproveitamento das frutas’’, diz Leila.
As abelhas silvestres perfuram a casca e sugam toda a polpa dos frutos
Díficil soluçãoAs abelhas que têm atacado as jabuticabeiras de Dona Leila são silvestres brasileiras, sem ferrão, da espécie Trigona spinipes, mais conhecida como irapuá ou arapuá. Segundo o extensionista da Emater, Élcio Rampazzo, especialista em fruticultura, não é muito comum estas abelhas atacarem frutos, tendo preferência pelo pólen, mas se há pouco pólen disponível, ele acredita que elas possam apreciar a polpa doce das jabuticabas.
A solução para evitar as abelhas, tanto em pomares caseiros como nos comerciais, é díficil. ‘‘Aplicação de veneno não resolve, porque além de prejudicar os frutos, as abelhas acabam voltando depois’’.
Élcio tem recomendado em alguns casos o uso de atrativos para desviar a ‘‘atenção’’ das abelhas em cima das frutas. Uma das alternativas é misturar com mel soja bem triturada, de forma que fique quase um pó, e colocar numa vasilha próxima da árvore. Outra alternativa é experimentar pendurar nos galhos da jabuticabeira recipientes com água adocicada que normalmente são usados para alimentar o beija-flor. Tem também a opção de plantar algumas espécies de flores próximas das áreas, para atrair as abelhas. Élcio acrescenta que estas opções não foram comprovadas cientificamente, para medir seus resultados e sua eficiência, mas acredita que vale a pena serem tentadas.
Marcos BorgesUtilizar recipientes com água e açúcar, comuns para alimentar beija-flores pode ser uma alternativa para atrair as abelhas
O agrônomo também recomenda que se procure localizar o ninho e afastá-lo. Uma técnica é a seguinte: por volta das três ou quatro horas da tarde deve-se chacoalhar o pé, para afugentar as abelhas. ‘‘Normalmente elas levantam vôo até uns cinco metros de altura e vão em direção ao ninho. Se não for muito longe, fica mais fácil de localizar’’, explica.
ComportamentoDe acordo com o Manual de Entomologia Agrícola, elaborado por Domingos Gallo e vários outros entomologistas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz (Esalq), edição de l988, ‘‘a irapuá, juntamente com outras vespas, ataca os frutos maduros, perfurando-os. O controle não pode ser feito, uma vez que ataca os frutos maduros. A recomendação é localizar o ninho, que normalmente fica em árvores bem altas, e destruí-lo’’.(Nota da Redação:A engenheira florestal Raquel Sila, do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), lembra que a destruição dos abrigos de animais silvestres, como as colméias das abelhas, é proibida pela Lei 5.197, de 3 de janeiro de 1967.)É a mesma lei que proibe a perseguição, a caça e a apanha dos animais silvestres e a destruição de seus abrigos. Por ela estão protegidos também, entre outros animais que causam danos econômicos em lavouras, as pombas amargosas e as capivaras. Raquel lembra que e as abelhas silvestres acham-se em risco de extinção.
A descrição do comportamento da abelha é bastante parecida com o relato de Dona Leila. A abelha perfura a casca, come parte da casca e parte da polpa do fruto. É uma abelha preta, identificada desfe 1793. Ela ataca diversos tipos de frutas.
No caso da jabuticabeira, planta nativa de Minas, São Paulo e Paraná, seu cultivo é muito mais caseiro do que comercial, não havendo portanto a exploração de grandes áreas. ‘‘Quando aparecem estes tipos de problemas, devem ser buscadas soluções caseiras que não prejudiquem o equilíbrio ou a qualidade das frutas’’, finaliza Élcio.

mockup