O presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Ernesto de Salvo, acredita que o mercado brasileiro não corre riscos de desabastecimento em consequência da desvalorização cambial ou do aumento de preços de produtos agrícolas. Segundo ele, a crise não está afetando o desempenho da safra e os estoques de alimentos continuam nos níveis anteriores.
Para Antônio Ernesto poderá haver falta temporária de algum produto apenas se os fornecedores e o varejo não chegarem a um acordo sobre os aumentos de preços. O entendimento, segundo o dirigente, deve acontecer entre os membros da cadeia produtiva. Com a desvalorização cambial, segundo o presidente da CNA, todos perderam - varejo, fornecedores e produtores. ‘‘Mesmo o aumento dos preços em Real não compensa a perda sofrida com a desvalorização da moeda brasileira.’’
Antônio Ernesto considera inevitável o aumento de preços de todos os produtos agrícolas. ‘‘Não será possível deter o aumento dos preços em Real, e como a nossa moeda vale muito menos do que valia há menos de um mês, até mesmo esse reajuste significa uma perda para quem vende’’.
O aumento dos preços, entretanto, prevê, deverá recuar em um segundo momento, porque, com a queda do poder aquisitivo da população, não haverá consumidores para comprá-los. No caso de produtos competitivos externamente, como óleo de soja, açúcar, suco de laranja e frango, a tendência, segundo previsão da CNA, é de que os reajustes acabem absorvidos em patamares aceitáveis pelo mercado. No caso de outros produtos, como feijão, por exemplo, podem ocorrer aumentos preventivos mas, na avaliaçõ do presidente da CNA, não deverão se sustentar por muito tempo. ‘‘Não há falta de feijão no mercado, não se exporta feijão e dificilmente algum reajuste vai durar muito tempo.’’(C.B)

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