Abandonaram o baculovírus
As aplicações casadas de herbicidas e inseticidas nas lavouras do Paraná provocaram o surgimento de novas pragas. A conclusão é do pesquisador da Embrapa e um dos precursores do uso do baculovírus, Flávio Moscardi. O pesquisador, em 1982, desenvolveu o baculovírus - vírus que afeta o sistema digestivo da lagarta da soja provocando sua morte. A técnica chegou a ser utilizada em 2 milhões de hectares em todo país, durante as décadas de 1980 e 1990. ''Estamos 'marchando de volta para a década de 1970, em que aplicávamos seis vezes veneno por hectare'', alerta o pesquisador. A média atual no Estado é de 4,74 aplicações.
O pesquisador explica que a demanda pelo baculovírus aumentava ano a ano. Porém, práticas inadequadas no início da lavoura acabaram eliminando o combate da largata pelo baculovírus. O produtor, conta Moscardi, aproveitava operações, aplicando ao mesmo tempo herbicidas pós-emergentes e inseticida com amplo espectro tóxico, eliminando até os inimigos naturais da largata.
Com isso, começou a surgir pragas secundárias, que tinham população baixa na lavoura, como diversos tipos de largatas, ácaros, mosca branca. ''Esses insetos se transformaram em pragas, devido ao uso abusivo de inseticida e herbicida'', explica. Cada vez mais, então, acabou sendo necessário venenos agrícolas mais tóxicos para combater as novas pragas e suas resistências aos venenos até então utilizados.
Entre estes venenos figuram organofosforados, carbamatos, piretróides. Estas pragas, antes sobre controle, passaram a aumentar de maneira descontrolada. ''O veneno altamente tóxico diminui a largata, mas cria novas pragas, que até então eram secundárias. O agricultor entrou neste círculo vicioso. Nestas circunstâncias, não dá mais para entrar com o baculovírus'', conclui. (E.P.F.)





