Marcos Negrini
FR 6A 31
O produtor Valdir Cândido: o melhor abacaxi do Brasil sai daqui, do Noroeste do Paraná


Maringá - O abacaxi está se tornando a opção para pequenos produtores e comerciantes de Santa Isabel do Ivaí e Santa Mônica (92 km de Paranavaí), no Noroeste do Estado. O solo arenoso e a decepção com culturas como o café, estimulam a fruticultura nos dois municípios. O plantio do abacaxi começou em 1995 e hoje já são três milhões de pés ocupando uma área de 97 ha. A produção é de 40 t/ha/safra podendo chegar a 50 t/ha. Além dos produtores autônomos, existe na região uma associação e dois condomínios que reúnem 36 produtores.
O produtor Valdir Cândido Baptista é o pioneiro no plantio de abacaxi no município de Santa Mônica. O receio de apostar em novas culturas e o alto custo para a correção do solo sempre foram obstáculos para que os produtores voltassem a investir no arenito caiuá. Baptista entretanto, acreditou no projeto da fruticultura e em 1995 iniciou o plantio de 15 mil pés de abacaxi em Santa Mônica.
No segundo ciclo da cultura, foram plantados 30 mil pés. Atualmente, os irmãos Valdir e Valtemir Baptista são os maiores produtores individuais da região com 350 mil pés plantados. A colheita, na propriedade dos Baptista, está começando este mês e deve gerar uma renda líquida de R$ 10.000,00/ha.
Detalhe: esta é a renda de uma safra cujo ciclo varia entre 18 e 24 meses, isto é quase dois anos. Mesmo assim, a renda dessa propriedade (R$ 10 mil/ha/ safra ou R$ 5 mil/ha/ano) pode ser considerada uma exceção rara pois a renda líquida do abacaxi no Paraná (descontando todos os custos variáveis) fica entre R$ 3 mil e R$ 4,5 mil/ha/ano. Bem acima da soja o outras lavouras de grãos.
O exemplo dos dois irmãos foi seguido por outros produtores. Em 1996, por exemplo, foi fundada a Associação Profruta, responsável pela produção em escala comercial do abacaxi na região. Com 16 associados, sendo a maioria comerciantes de Santa Isabel do Ivaí, a Profruta possui a maior área de abacaxi na região, com 1,6 milhão de pés.
O presidente da associação, Luiz de Jesus Patrão, é um dos mais empolgados da nova atividade. Patrão destaca o papel social da fruticultura e diz que o projeto ainda não decolou totalmente porque muitos produtores não acreditam no potencial do solo arenoso e não arriscam qualquer tipo de investimento.
No caso do abacaxi, conforme Patrão, o investimento inicial é de R$ 4.000/ha. No segundo ano o custo cai para R$ 2,5 mil/ha, já que as mudas podem ser retiradas da primeira lavoura. Outra vantagem é a venda das mudas. Em média, um pé de abacaxi produz três mudas. O preço da muda gira em torno de R$ 0,05 cada. Já o quilo do abacaxi produzido na região é comercializado a R$ 0,25 podendo chegar nesta safra R$ 0,30/kg.
Aprendizado O cultivo do abacaxi em Santa Isabel do Ivaí e Santa Mônica só foi possível porque os produtores se uniram e passaram a estudar as variedades e as formas de manejos nos centros tradicionais em Minas Gerais (Canápolis) e São Paulo (Guaraçaí).
Em sete anos, conforme Valdir Baptista, muitos erros foram cometidos até que os produtores chegassem a uma tecnologia ideal. ''Hoje produzimos o melhor abacaxi do Brasil'', assegura. Segundo ele, o solo arenoso de Santa Isabel do Ivaí e Santa Mônica, é ideal para o plantio do abacaxi que exige uma drenagem rápida da água da chuva.
Com apoio do engenheiro agrônomo Miceslau Boszczovski, os produtores da região conseguiram chegar a uma adubação equilibrada que garante ao abacaxi um teor de açúcar mais adequado.
''Nosso abacaxi, principalmente aquele que é colhido a partir de setembro, é o mais doce de todas as regiões produtoras do País'', destaca. Conforme Boszczvski, o frio interfere no sabor da fruta, por isso, as colheitas a partir de setembro tendem a ter um produto mais adocicado.
Ele destaca que apesar das viagens e pesquisas aos centros produtores de abacaxi, o manejo e a tecnologia adotada pelos produtores do Noroeste sofreram alterações justamente para que a cultura tivesse melhor desenvolvimento.
Colheita e escoamento Para assegurar o sucesso das lavouras de abacaxi, conforme os produtores da região, é imprescindível seguir as recomendações técnicas. Além de corrigir o solo, é preciso fazer o rodízio no plantio das lavouras. Conforme Boszczovski, devido à massa orgânica que a lavoura produz, é impossível utilizar a mesma área para dois plantios consecutivos devido o risco de pragas no segundo ciclo.
A variedade plantada na região é Snoot Cayenne que é mais resistente ao clima seco da região.
A colheita escalonada é um fator positivo para os pequenos produtores. O escalonamento é possível graças ao uso do produto Etrel que induz articifialmente o desenvolvimento da fruta. ''A colheita escalonada me permite trabalhar de acordo com a minha capacidade e não corro o risco de perder parte da produção na lavoura'', assegura Valdir Cândido Baptista.
Sabor O sabor do abacaxi de Santa Isabel do Ivaí e Santa Mônica já conquistou alguns mercados no Brasil e depende de uma produção em maior escala para atingir outros mercados. Atualmente, toda produção dos dois municípios é vendida para os Ceasas de do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A região Sul é a maior consumidora de abacaxi e conforme Boszczoviski é um mercado garantido para novos produtores. A Argentina também é um mercado em potencial, segundo o produtor Luiz de Jesus Patrão.

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