A voz da Exposição
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de abril de 2008
Paula Costa Bonini<br>Especial para a FOLHA 
Entre animais, máquinas agrícolas, automóveis, ou mesmo as pessoas que passam pelo parque, tudo vira atração em tempos de exposição. Mas longe dos olhos e muito perto do ouvido, há uma voz que se sobressai na multidão. Informações sobre crianças ou objetos perdidos, a programação de leilões e shows chegam a este público visitante, muitas vezes até de forma despercebida. É a Rádio Rural.
A Rádio foi criada, segundo Moacir Sgarioni, colaborador da comunicação da Sociedade Rural, para informar o visitante, valorizar a feira e os expositores. A cada ano, é claro, a voz da feira se inova na fala, na música. Este ano a programação conta com novidades: vai chamar a atenção para problemas ambientais, buscando estimular a cidadania, tanto dos visitantes quanto dos expositores. O público será convidado a colaborar com a limpeza do parque, ressalta. Já os expositores que se destacarem na higiene, bom atendimento e criatividade serão parabenizados pela rádio.
Por 12 anos o locutor Geraldo Aguiar foi o dono dessa voz, principalmente à noite. As pessoas que se perdiam procuravam muito a gente. Fazia uma fila grande para anunciar. E não é só criança que se perde, tem muito adulto que se desencontra, lembra Aguiar, contando que também anunciavam objetos achados e perdidos. Ele tem história para contar. Uma vez foi encontrada uma carteira com bastante dinheiro e nos procuraram para anunciar. Depois do anúncio, em poucos minutos a pessoa apareceu, recorda o locutor.
Também como um serviço de utilidade pública, Geraldo conta que tinham senhas para se comunicar com os médicos e policiais. Se alguém passasse mal ou acontecesse uma briga, a gente anunciava por meio de códigos e a ambulância ou a viatura corriam para o local.
A Rádio contava com entretenimento. Eles recebiam pedidos de música, que normalmente era oferecida para alguém, além de informar a programação do dia e da semana, os horários de shows, rodeios e leilões. As pessoas elogiavam bastante. O som se sobressai e o público da Rádio Rural é imenso. É um recorde de público, afirma o locutor.
Responsável há 47 anos pela parte técnica do som, João Schobiner Neto explica que as 110 cornetas exponenciais distribuídas pelo Parque são as responsáveis pelo grande rendimento acústico. O som chama a atenção das pessoas devido à distribuição das cornetas, explica. O volume não é muito alto para permitir que as pessoas, além de ouvirem bem a Rádio, consigam conversar até mesmo embaixo de um desses alto-falantes.
O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Alexandre Lopes Kireeff, considera a Rádio muito importante na Exposição. Por meio dela, o público tem a dimensão do que acontece no parque em tempo real. Ele enfatiza a prestação de serviço que oferece, não só ao público, mas também a Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Equipe Médica, etc. Este ano, a locução fica por conta de uma rádio da cidade que venceu um processo de licitação.


