Entre animais, máquinas agrícolas, automóveis, ou mesmo as pessoas que passam pelo parque, tudo vira atração em tempos de exposição. Mas longe dos olhos e muito perto do ouvido, há uma voz que se sobressai na multidão. Informações sobre crianças ou objetos perdidos, a programação de leilões e shows chegam a este público visitante, muitas vezes até de forma despercebida. É a Rádio Rural.
A Rádio foi criada, segundo Moacir Sgarioni, colaborador da comunicação da Sociedade Rural, para informar o visitante, valorizar a feira e os expositores. A cada ano, é claro, a voz da feira se inova na fala, na música. Este ano a programação conta com novidades: vai chamar a atenção para problemas ambientais, buscando estimular a cidadania, tanto dos visitantes quanto dos expositores. ‘‘O público será convidado a colaborar com a limpeza do parque’’, ressalta. Já os expositores que se destacarem na higiene, bom atendimento e criatividade serão parabenizados pela rádio.
Por 12 anos o locutor Geraldo Aguiar foi o dono dessa voz, principalmente à noite. ‘‘As pessoas que se perdiam procuravam muito a gente. Fazia uma fila grande para anunciar. E não é só criança que se perde, tem muito adulto que se desencontra’’, lembra Aguiar, contando que também anunciavam objetos achados e perdidos. Ele tem história para contar. ‘‘Uma vez foi encontrada uma carteira com bastante dinheiro e nos procuraram para anunciar. Depois do anúncio, em poucos minutos a pessoa apareceu’’, recorda o locutor.
Também como um serviço de utilidade pública, Geraldo conta que tinham senhas para se comunicar com os médicos e policiais. ‘‘Se alguém passasse mal ou acontecesse uma briga, a gente anunciava por meio de códigos e a ambulância ou a viatura corriam para o local.’’
A Rádio contava com entretenimento. Eles recebiam pedidos de música, que normalmente era oferecida para alguém, além de informar a programação do dia e da semana, os horários de shows, rodeios e leilões. ‘‘As pessoas elogiavam bastante. O som se sobressai e o público da Rádio Rural é imenso. É um recorde de público’’, afirma o locutor.
Responsável há 47 anos pela parte técnica do som, João Schobiner Neto explica que as 110 cornetas exponenciais distribuídas pelo Parque são as responsáveis pelo grande rendimento acústico. ‘‘O som chama a atenção das pessoas devido à distribuição das cornetas’’, explica. O volume não é muito alto para permitir que as pessoas, além de ouvirem bem a Rádio, consigam conversar até mesmo embaixo de um desses alto-falantes.
O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Alexandre Lopes Kireeff, considera a Rádio muito importante na Exposição. ‘‘Por meio dela, o público tem a dimensão do que acontece no parque em tempo real’’. Ele enfatiza a prestação de serviço que oferece, não só ao público, mas também a Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Equipe Médica, etc. Este ano, a locução fica por conta de uma rádio da cidade que venceu um processo de licitação.

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