A volta do algodão ao Paraná
O Multi Agro desta semana mostra o empenho de produtores no cultivo da pluma, visando devolver à cultura a importante participação que já teve na economia do Estado
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de março de 2019
O Multi Agro desta semana mostra o empenho de produtores no cultivo da pluma, visando devolver à cultura a importante participação que já teve na economia do Estado
Reportagem local 

O Paraná foi o maior produtor nacional de algodão. A cultura teve início na década de 1970 e foi se expandindo, chegando a plantar 709 mil hectares na safra de 1991. Todavia, no ano seguinte, teve início seu grande declínio. Para que o Paraná volte a produzir como no passado, a Acopar (Associação dos Cotonicultores Paranaenses) vem desenvolvendo um trabalho especial em algumas propriedades. O Multi Agro visitou uma delas, localizada no bairro Bratislava, em Cambé, para descobrir mais sobre esse “ouro branco”.
Atualmente, o projeto da Acopar conta com aproximadamente 700 hectares plantados no Estado e a expectativa é chegar a mil hectares no próximo ano. Uma convergência de fatores negativos contribuiu para o declínio do algodão. Um dos principais motivos foi o surgimento de uma praga conhecida como "bicudo do algodoeiro". Almir Montecelli, presidente da associação, cita ainda a contribuição dos preços deturpados do produto, promovido pelos Estados Unidos que, na época, vendia um algodão mais barato no mercado internacional. Além disso, também tiveram as chuvas intensas, que prejudicaram muito a colheita.
Atualmente, no Brasil, a produtividade média é de 800 arrobas por alqueire, com picos acima de mil arrobas por alqueire. "Então, nós ainda temos muito a crescer", calcula Montecelli. Em relação aos investimentos, ele conta que a Acopar pratica um modelo de lavoura de custo mais baixo do que no restante do País, porém com uma lucratividade excepcional.
Os profissionais da associação estão trabalhando com a expectativa de a lucratividade no Paraná ser o dobro da soja. "A produtividade estimada para essa lavoura, por exemplo, é acima de 600 arrobas por alqueire, com uma lucratividade excepcional. São mais de 200 sacas de soja de lucro por alqueire", compara.
O Paraná, segundo os cotonicultores, conta com algumas vantagens para o cultivo do algodão. Uma delas é a fertilidade do solo. Enquanto por aqui são usados 1.200 quilos de adubo por alqueire, no restante do Brasil o volume chega a 3.000. “Também não fazemos nenhuma aplicação de fungicida”, informa Montecelli.
Apesar do solo daqui ter uma qualidade especial, é preciso de uma preparação adequada para a semeadura, diz o engenheiro agrônomo Edson Hirata, dono da propriedade. "No inverno, usamos subsolador, plantamos aveia e fizemos uma adubação em conjunto."
Montecelli lembra que o algodão, após a colheita, passa por um processo de beneficiamento, para a separação da pluma e do caroço. Atualmente, não existe no Estado nenhuma máquina beneficiadora, por isso, toda a produção paranaense é levada para São Paulo. "No ano que vem, quando alcançarmos os mil hectares, a ideia é termos uma máquina dessa por aqui também."
MELHORAMENTO GENÉTICO
O melhoramento genético do algodão está sediado nas regiões do País que mantiveram a cultura, como é o caso do Centro-Oeste e o sul do Nordeste. Um trabalho de seleção de cultivares aptas ao Paraná, com estudos de campo, estão sendo feitos por profissionais que participam do projeto.
Atualmente, existem três ensaios de competição de cultivares anuais. São selecionadas as melhores delas, mais adaptadas à realidade do Estado e mais tolerantes a nematoides, explica Wilson Paes de Almeida, consultor da Acopar.
O Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) também participa do projeto prestando consultoria aos produtores participantes. "Após esses quatro anos de trabalho conjunto, já conseguimos chegar a uma tecnologia adequada para a cultura do algodão aqui no Estado", informa o pesquisador Ruy Yamaoka.
O Multi Agro vai ao ar neste domingo (31), às 8 horas, na MultiTV (Canais 20 e 520 da NET), com reprises diárias. Pode ser acompanhado também, em tempo real, pelo YouTube ou pelo Portal Bonde.


