A vez do preço bom
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sexta-feira, 15 de junho de 2012
Mariana Fabre <br>Reportagem Local 
Para alívio dos produtores, o feijão sofreu grande valorização nos últimos meses, cobrindo os custos e garantindo rentabilidade para a cultura. Os preços elevados deste ano são consequência da menor oferta do produto no mercado, que, por sua vez, é resultado da desvalorização sofrida pela leguminosa em 2011. Mesmo com a redução da safra deste ano, o Paraná se mantém como maior produtor brasileiro de feijão, responsável por 24% da produção nacional.
A estimativa inicial era colher 404.943 toneladas de feijão na segunda safra, mas devem ser colhidas 346.778 toneladas, uma redução de 58.165 toneladas em relação à expectativa de produção divulgada no mês passado, motivada pela seca na fase inicial e pela geada em maio. Mesmo assim, o volume ainda é 25% superior à safra anterior, quando atingiu 277.502 toneladas. A área plantada também apresentou incremento de 28%, alcançando 219.458 hectares. As informações são do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Até o momento 69% da área plantada com a leguminosa já foi colhida.
O engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Alberto Salvador, explica que a grande diferença em comparação aos números do ano passado se deve ao mercado. Em 2011, os preços da leguminosa estavam muito baixos, o que desestimulou os produtores a cultivarem feijão na primeira safra deste ano. ''Na época de intenção de plantio, os preços estavam baixos e muitos produtores optaram pela soja ou pelo milho'', afirma.
Na primeira safra, a área cultivada caiu 28% e a produção teve queda de 35%, sendo prejudicada ainda por uma quebra de 20% causada pela estiagem. Como consequência, a baixa produção impulsionou os preços, que chegaram a ultrapassar a marca de R$ 200 por saca de feijão de cor este ano. A valorização animou os agricultores, mas o aumento significativo na segunda safra não foi suficiente para compensar a redução inicial. Além disso, o feijão segunda safra foi afetado pela estiagem no início do ano e pelas baixas temperaturas registradas no Sudoeste do Paraná. A previsão aponta para uma quebra de 14% na produção. Na safra total, a área sofreu redução de 14% e a produção diminuiu 9%.
Comercialização
Seguindo a lei da oferta e da procura, o grande volume disponível no mercado com a colheita das duas primeiras safras do ano já pressionou as cotações do produto, que começaram a apresentar queda a partir da segunda quinzena de maio deste ano. Mesmo assim, os preços continuam favoráveis ao produtor, com média de R$ 149,58 para o feijão de cor e de R$ 95,83 para o feijão preto entre os dias 4 e 6 de junho.
O preço mínimo estabelecido para o feijão é de R$ 72 para a saca de 60 kg. Entre maio de 2011 e maio de 2012, o preço do feijão de cor sofreu acréscimo de 106,7%, passando de R$ 75,89 para R$ 156,89. O feijão preto sofreu valorização menor no período - 39,2% -, saindo de R$ 64,19 em maio de 2011 e atingindo R$ 89,40 em maio deste ano.
O agrônomo lembra que o produtor de feijão começou a enfrentar dificuldades de mercado há dois anos. ''As cotações começaram a reduzir no segundo semestre de 2010 em razão da grande oferta de produto no mercado e a situação agora é a oposta. Os valores baixos levaram o produtor a não manter a cultura e agora os preços vão pesar na decisão novamente, mas agora a favor do produto'', esclarece.
Cálculos do Deral mostram que a cotação atual do feijão é equivalente a duas vezes e meia o preço da soja e a margem de rentabilidade também supera o preço da soja. Salvador afirma que a expectativa para o comportamento dos preços no segundo semestre deste ano ainda é incerta, pois vao depender do primeiro levantamento de intenção de plantio para a próxima safra, que só deve ser realizado em julho.


