A vez do milho transgênico
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
Apesar de polêmica, a tecnologia dos transgênicos continua a ganhar espaço na agricultura. Nesta semana o Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) aprovou duas variedades de milho, a LibertyLink, da Bayer, e a Yieldgard (MON810), da Monsanto. As duas empresas agora terão de solicitar um registro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para começar a produzir sementes geneticamente modificadas. O prazo para obtenção dessa autorização é de 120 dias. A previsão dos produtores é que a liberação comece a valer no máximo para a safra de 2008/09.
Segundo a assessoria da Monsato, a Yieldgard pode frear as perdas causadas pela principais lagartas-praga do milho, como a broca-do-colmo (Ostrinia nubilalis). A variedade contém o gene de uma bactéria de solo - o Bacillus thuringiensis (Bt), que destrói o sistema digestivo dessas lagartas.
Cerca de 90% dos produtores ouvidos numa pesquisa realizada pela multinacional, em países onde o cultivo do milho transgênico é liberado, disseram ter problemas em controlar o ataque dessas pragas, obrigando-os a realizar até cinco aplicações de inseticidas por ciclo da cultura. Na atual safra, porém, 86% dos entrevistados confirmaram que diminuíram a aplicação de defensivos agrícola e obtiveram melhor qualidade do produto.
Outra vantagem da nova variedade é que, com o controle seletivo a insetos-pragas, a tecnologia só é eficaz a insetos que atacam a lavoura, sem que as demais comunidades do bioma sejam afetadas, como pássaros, joaninhas ou outros insetos não-alvo. O impacto da redução de defensivos pode ser visto, também na diminuição da emissão de gases causadores do efeito estufa, uma vez que a menor quantidade de inseticidas aplicados evita o uso de maquinário e queima de combustível e beneficia ainda a saúde do agricultor.
Segundo a assessoria da Bayer, o LibertyLink será uma alternativa para a produção de milho de forma sustentável. Lançado em 1995 nos Estados Unidos, o milho LibertyLink esteve em análise para aprovação no Brasil há dez anos. Com a nova variedade, o agricultor poderá controlar a infestação de plantas daninhas nas lavouras, mesmo após a germinação do milho. Isso porque a semente de milho LibertyLink tem um diferencial: possibilita a utilização do herbicida à base do glufosinato de amônia, porém sem restringir o agricultor a optar por qualquer outro herbicida que já utilize e seja indicado no país.
O gene pat é o responsável pela produção da proteína PAT, que protege a planta do milho durante o processo de controle de plantas daninhas. O gene pat é utilizado em outras culturas biotecnológicas que já são comercializadas, inclusive canola e algodão.
A Monsanto, de acordo com informações da assessoria, deverá disponibilizar sementes da nova variedade já na próxima safra. Porém, isto ficará na dependência do registro no MAPA e da replicação da semente, que deverá ser feita nos campos da empresa na época da safrinha de milho.
A assessoria da Bayer informa que não há previsão sobre a disponibilidade de sementes. A empresa vai aguardar os trâmites do registro no MAPA para iniciar a elaboração dos planos de negócios do produto no Brasil.


