A vez da caprinocultura
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de agosto de 2005
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Em franca expansão, o mercado consumidor de carne e derivados de caprinos e ovinos do Paraná demanda novos criadores. A falta de organização do segmento tem limitado o crescimento da atividade, que precisa garantir regularidade na oferta para obter sucesso.
Hoje, o rebanho de ovinos supera o de caprinos no Estado. O motivo, afirma o professor Luiz Fernando Coelho Cunha Filho, da Universidade Norte do Paraná (Unopar), é a vocação regional. ''Nosso rebanho de ovinos engloba até 600 mil cabeças, enquanto o plantel de caprinos não ultrapassa 80 mil animais'', calcula.
Segundo o veterinário Jeferson Ferreira da Fonseca, pesquisador da Embrapa Caprinos, de Sobral (CE), 95% do rebanho de cabras do Brasil concentra-se no Nordeste, onde as criações são de subsistência. No Sudeste, completa Fonseca, a produção diária de leite gira em torno de 30 mil litros, enquanto que o Nordeste produz 20 mil litros de leite de cabra/dia. ''O consumidor está passando a conhecer o leite de cabra, que é consumido por pessoas que possuem restrição ao leite de vaca'', assinala. Alimento funcional hipoalergênico, o leite de cabra é matéria-prima para queijos finos, ressalta o pesquisador.
Para fomentar o desenvolvimento da caprinocultura no Paraná, o governo estadual lançou o Programa de Incentivo à Estruturação da Cadeia Produtiva de Caprinos e Ovinos. A zootecnista Jaciane Beal explica que 75% dos R$ 3 milhões disponíveis serão destinados à compra de matrizes caprinas.
Para participar do programa, o criador precisa se organizar em associações. O objetivo é garantir uma produção de qualidade, em quantidade e com regularidade de oferta. Cada participante poderá receber de 15 a 50 fêmeas para iniciar ou dar continuidade à criação de caprinos.
De acordo com a zootecnista, os interessados devem procurar a Emater para se inscrever no programa e em seguida, realizar o curso de capacitação oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Após a inscrição, o criador terá sua propriedade vistoriada por técnicos habilitados da própria Emater para poder receber os animais. ''Os criadores terão dois anos de carência e mais dois anos para pagar'', informa Jaciane. Segundo ela, cada fêmea está sendo cotada a R$ 270.


