A cor, um vermelho intenso. O sabor, forte e ácido. Estas são algumas das características da amora silvestre ou amora-preta, também confundida com a framboesa, que a colocam como ingrediente de destaque em sucos, tortas, doces e geléias. O cultivo, em Londrina, é resumido a dois produtores, do distrito da Warta, Zona Norte, que abastecem a demanda de uma conceituada casa de tortas alemãs e outras duas empresas que comercializam frutas congeladas.
O produtor Ely Moritz conta que conheceu a fruta há 10 anos, através do pesquisador Antônio Yoshio Kishino, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), falecido em 2004. A produção em escala comercial tem seis anos, em uma área de cinco mil metros quadrados. As mudas são da variedade comanche oriundas do Rio Grande do Sul e foram multiplicadas a partir das amostras cedidas pelo pesquisador.
O manejo da cultura, segundo o produtor, pela rusticidade da planta, é bastante fácil. ''O principal trabalho é a colheita dos frutos'', resume. Os arbustos atingem pouco mais de um metro de altura, e formam diversos galhos longos, finos, e cheios de espinhos em forma de unha de gato, que se entrelaçam formando um verdadeiro emaranhado. O período de florescimento ocorre em setembro, com a entrada da primavera. Dois meses depois já há frutos prontos para a colheita.
Os espinhos dificultam a lida, já que, pela delicadeza dos frutos, a colheita tem que ser feita com as mãos descobertas. Para o colhedor, o resultado são inúmeros arranhões e pontas de espinhos. ''O uso de luvas, tira o tato dos dedos que acabam por danificar as amoras'', explica Moritz.
Pela sensibilidade das amoras podem ocorrer danos também com o excesso de sol ou de chuvas que provocam o apodrecimento da fruta. Outros cuidados são necessários ainda no embalamento e no transporte para evitar que elas se amassem. ''Estamos colhendo as amoras diretamente nas caixas do cliente. A seleção já ocorre no ato da colheita'', explica. O rendimento médio é de um quilo (kg) de amoras por planta. Nesta safra o produtor está retirando cerca de 250 kg/semana e a coleta de frutos é diária. O produtor repassa a fruta para o mercado por R$ 3,00/kg. ''O custo de produção é baixíssimo'', garante.
Toda a produção é conduzida no sistema de cultivo orgânico, e o mato, dentro do processo de biodiversidade, favorece na adubação e no sombreamento dos frutos. O produtor ainda não registrou a ocorrência de pragas que provocassem danos econômicos. Vale lembrar que Moritz pratica a agricultura orgânica há 15 anos, assim, o sítio já possui um bom equilíbrio do ecossistema.
Após a colheita, é feita uma poda nos arbustos que favorece o desenvolvimento dos novos galhos que brotam da base da planta. A propagação das mudas, explica o produtor e feita através das raízes da planta. ''Cortamos a raiz em pedaços, como se faz com as ramas da mandioca''. Depois, basta enterrar esses cortes de raiz em sacos para mudas. Mais uma vez a rusticidade da planta colabora: ''as mudas têm qualidade e se formam novos arbustos com boa qualidade produtiva'', garante Ely Moritz.

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